TRANSIÇÃO FISCAL

Especialista alerta para o aumento de autos de infração em PMEs na reta final da transição fiscal

Cruzamento eletrônico de dados e mudanças na legislação ampliam risco de autuações e pressionam o caixa das pequenas e médias empresas

Por Carolina Lara Publicado em 23/02/2026 às 14:41
Maynara Fogaça

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, 95% das empresas brasileiras pagam tributos a mais por falhas de apuração ou escolha inadequada do regime fiscal. Ao mesmo tempo, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamentos eletrônicos com base em SPED, notas fiscais e declarações digitais, o que tem resultado no aumento de autos de infração, especialmente contra pequenas e médias empresas.

Maynara Fogaça, tributarista especialista em gestão tributária e CEO da Visão Tributária, ecossistema de soluções estratégicas nas áreas fiscal e empresarial, afirma que o cenário às vésperas da transição prevista na Reforma Tributária exige revisão imediata de processos. “O Fisco está mais tecnológico e menos tolerante a inconsistências. Muitas empresas estão sendo surpreendidas porque nunca revisaram seus dados com profundidade”, diz.

Com mais de 23 anos de atuação na área fiscal e mais de R$ 200 milhões recuperados para empresas, a especialista relata crescimento no número de negócios que chegam ao escritório após receber autuações retroativas, inclusive com risco de exclusão do Simples Nacional. “O empresário descobre o problema quando o auto de infração já está formalizado e o impacto direto recai no caixa, comprometendo fluxo e capacidade de investimento”, afirma.

O aumento das autuações ocorre em paralelo à fase de regulamentação da Reforma Tributária, que prevê período de transição e convivência de sistemas. Para a executiva, a combinação entre novas regras e fiscalização digital amplia o risco de erros operacionais. “A empresa que não ajusta rotinas agora pode carregar passivos para o novo modelo. E isso pode custar caro no médio prazo”, alerta.

Além das multas, a autuação pode bloquear compensações tributárias e restringir certidões negativas, afetando crédito e contratos. “Não se trata apenas de pagar multa. Trata-se de reputação fiscal e capacidade de continuar operando com segurança jurídica”, acrescenta.

Antes que a autuação se torne realidade, a orientação é estruturar uma revisão preventiva. A tributarista afirma que a principal vantagem de agir antes da fiscalização é transformar risco em oportunidade. “Quando a empresa revisa seus dados, identifica não apenas erros, mas créditos não aproveitados. Muitas vezes o mesmo processo que evita multa também recupera caixa”, explica.

A especialista apresenta cinco cuidados para reduzir o risco de autos de infração

A seguir, pontos considerados decisivos na fase atual de fiscalização intensificada:

  • Diagnóstico tributário atualizado

    Reavaliar o enquadramento e verificar se o regime escolhido ainda é o mais adequado ao faturamento e à estrutura operacional.
  • Revisão dos últimos cinco anos
    Analisar tributos pagos, compensações realizadas e possíveis inconsistências declaradas ao Fisco.
  • Integração de sistemas e parametrização correta
    Garantir que notas fiscais, folha e obrigações acessórias estejam alinhadas para evitar divergências nos cruzamentos eletrônicos.
  • Auditoria preventiva periódica
    Implementar rotina técnica de validação de dados antes do envio das declarações.
  • Escolha criteriosa de consultoria especializada
    Contratar empresa com experiência comprovada em auditoria de crédito tributário e atuação estratégica, capaz de apresentar metodologia, equipe técnica e histórico de resultados.

“Planejamento tributário não é manobra, é gestão. Existe uma diferença clara entre pagar imposto e pagar certo”, afirma. Segundo ela, empresas que adotam cultura fiscal estratégica conseguem atravessar a transição com previsibilidade. “A Reforma Tributária traz mudanças estruturais. Quem organizar a base agora tende a ganhar vantagem competitiva”, conclui.

Sobre Maynara Fogaça

Maynara Fogaça é tributarista, especialista em gestão tributária e referência nacional em Auditoria de Crédito Tributário, com mais de 23 anos de experiência e mais de R$200 milhões recuperados para empresas. É CEO da Visão Tributária e da Mais Tributário, além de fundadora do Visão Tax, maior evento de empreendedorismo tributário do interior paulista. Formada em Direito, com pós em Gestão Tributária, atua como mentora e palestrante, ajudando empresários e contadores a transformarem o caos fiscal em lucro. Sua abordagem estratégica vai além da contabilidade tradicional, com foco em resultados reais.

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