Calistenia ganha espaço como alternativa eficiente e acessível fora das academias
Educador físico defende método estruturado e progressivo para treinos em casa e ao ar livre
Brasil, fevereiro de 2026 – A falta de atividade física é reconhecida por organismos internacionais de saúde como um dos principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, incluindo enfermidades cardiovasculares e metabólicas. A ausência regular de exercícios também pode agravar outras condições de saúde e comprometer a mobilidade ao longo dos anos. Ainda assim, grande parte da população aponta cansaço, falta de tempo e limitações financeiras como barreiras para a prática de atividades físicas.
Diante desse contexto, modalidades acessíveis e adaptáveis têm ganhado espaço na rotina da população, ao oferecer alternativas viáveis para a adoção de hábitos mais ativos. Para o educador físico especialista em treinos de calistenia, Felipe Kutianski, a atividade se apresenta como uma solução viável, pois utiliza o próprio peso corporal e pode ser praticada em espaços simples, como salas, quintais, praias, praças e parques, sem necessidade de equipamentos. “A maior vantagem da calistenia está na sua praticidade. Com ela, as desculpas de falta de tempo, dinheiro, entre outras, caem por terra, já que precisamos apenas do nosso corpo e de um espaço para nos exercitar”, comenta.
O profissional organiza os treinos com base na filosofia do “menos, porém, intenso”. A estrutura é dividida em três blocos: ativação neural; movimentos fundamentais como empurrar, puxar, agachar e exercícios de core; e finalização metabólica. “Mesmo fora da academia, o planejamento segue fases de estabilização, volume e intensidade”, relembra o especialista. Segundo ele, a eficiência está na estratégia e na progressão técnica, não na quantidade de aparelhos disponíveis.
“A liberdade corporal é o maior benefício. Quando a pessoa entende que pode treinar em qualquer lugar, economiza tempo, reduz custos e retoma o controle da própria saúde”, afirma Kutianski. Ele ressalta que a prática exige orientação adequada. “A ausência de técnica pode gerar lesões. Por isso, aplico o método FAIR (Frequência, Alimentação, Intensidade e Repouso) com foco em consciência corporal e evolução segura”.
Além da praticidade, o especialista observa aumento do engajamento em treinos realizados em espaços públicos. De acordo com ele, o ambiente aberto favorece a socialização e cria efeito multiplicador nas comunidades. A expectativa é de que o modelo continue em expansão, especialmente entre pessoas que buscam flexibilidade, autonomia e maior integração da atividade física à rotina diária. “Muita gente chega com trauma de academia, falta de tempo, vergonha, ansiedade etc. Quando apresento a ideia de que o treino pode ser feito em 5, 10 ou 15 minutos no parque com o filho correndo ao lado, os olhos brilham. Essa opção de liberdade vira motivação. A pessoa entende que pode encaixar o treino à vida real, sem culpa nem rigidez. Isso gera adesão e, mais importante, continuidade”, completa o especialista.
Para finalizar, Felipe Kutianski listou cinco tópicos fundamentais para quem deseja iniciar a prática da calistenia:
- Tenha constância nos treinos.
- Respeite sempre os seus limites.
- Não tenha pressa nas progressões.
- Quanto menor o tempo, maior será a intensidade do treino.
- Siga e converse com profissionais de Educação Física da sua confiança.