IMPACTO ECONÔMICO

Redução de jornada para 40h pode aumentar custos em até R$ 267,2 bilhões ao ano, aponta CNI

Estudo da CNI indica que medida pode elevar folha de pagamento em 7% e afetar especialmente micro e pequenas empresas

Publicado em 23/02/2026 às 13:12
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira, 23, que a redução da jornada de trabalho para até 40 horas semanais pode gerar um custo adicional entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano à economia brasileira. O impacto representa um aumento de 7% na folha de pagamentos, considerando dois cenários: reposição das horas por meio de horas extras ou novas contratações.

De acordo com a CNI, os efeitos mais significativos devem ser sentidos na indústria da construção e entre micro e pequenas empresas industriais.

Entre os 32 setores industriais analisados, 21 teriam elevação de custos acima da média, independentemente da estratégia adotada para manter a produção atual.

Impactos por setor econômico:

- Indústria da transformação: aumento de 7,7% a 11,6%;

- Indústria da construção: de 8,8% a 13,2%;

- Comércio: entre 8,8% e 12,7%;

- Agropecuária: de 7,7% a 13,5%.

Segundo a entidade, a proposta resultaria, de imediato, em um acréscimo de cerca de 10% no valor da hora trabalhada regular para contratos de 40 horas semanais. Caso não haja reposição das horas, a CNI alerta para possível redução na atividade econômica.

“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.

A CNI destaca ainda que micro e pequenas empresas seriam as mais impactadas. Negócios com até nove empregados poderiam registrar um aumento de R$ 4,5 bilhões a R$ 6,8 bilhões nos gastos com pessoal, o que representa de 8,7% a 13% de acréscimo.

Para empresas com mais de 250 funcionários, o impacto estimado varia de R$ 27,5 bilhões a R$ 41,4 bilhões, com aumento percentual entre 6,6% e 9,8%, conforme o cenário considerado.