DESENVOLVIMENTO

Engenharia brasileira aposta em pesquisa aplicada para transformar conhecimento em desenvolvimento

Publicado em 23/02/2026 às 13:09
Pedro Jalles

A engenharia brasileira vive um momento decisivo. Diante de desafios estruturais, como a necessidade de ampliar a competitividade industrial, acelerar a transição energética e modernizar a infraestrutura, a pesquisa aplicada e a inovação tecnológica se tornaram estratégias fundamentais para o desenvolvimento do país.

Nesse contexto, a pesquisa aplicada ganha protagonismo por conectar o conhecimento acadêmico às demandas reais da indústria. Diferentemente da pesquisa puramente teórica, ela busca soluções práticas para problemas concretos, desde novos materiais mais sustentáveis até sistemas de automação mais eficientes e tecnologias voltadas à descarbonização.

Para o engenheiro e pesquisador Pedro Rodrigues de Castro Jalles, a engenharia brasileira precisa fortalecer o elo entre universidades, centros tecnológicos e setor produtivo. “O Brasil possui excelência acadêmica em diversas áreas da engenharia, mas ainda enfrenta dificuldades em transformar conhecimento científico em soluções escaláveis. A pesquisa aplicada é o caminho para reduzir esse gap e gerar impacto econômico e social”, afirma.

Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, países que investem acima de 2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento tendem a apresentar maior competitividade industrial e melhores indicadores de inovação. No Brasil, esse percentual historicamente gira em torno de 1% a 1,3%, o que evidencia espaço para crescimento estratégico.

A inovação tecnológica também desempenha papel central na modernização de setores tradicionais da economia brasileira, como construção civil, energia, agronegócio e mineração. A incorporação de tecnologias como modelagem digital, inteligência artificial aplicada à engenharia, sensores inteligentes e manutenção preditiva vem transformando processos produtivos e reduzindo desperdícios.

De acordo com levantamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), projetos de inovação com apoio público tendem a gerar retorno significativo em geração de empregos qualificados e aumento de competitividade. Para Pedro Jalles, políticas de fomento são essenciais, mas precisam estar alinhadas a estratégias de longo prazo. “Inovação não acontece de forma isolada. É resultado de investimento consistente, formação técnica de qualidade e ambiente regulatório favorável”, destaca.

Outro ponto relevante é a formação de engenheiros com perfil multidisciplinar. A integração entre engenharia, ciência de dados, sustentabilidade e gestão de projetos torna-se cada vez mais necessária em um cenário de transformação digital. Universidades e instituições de pesquisa têm buscado adaptar currículos e ampliar parcerias com o setor privado, aproximando estudantes de desafios reais do mercado. Além do impacto econômico, a pesquisa aplicada em engenharia contribui diretamente para a melhoria da qualidade de vida da população. Soluções voltadas à mobilidade urbana, saneamento básico, eficiência energética e infraestrutura resiliente são exemplos de como inovação tecnológica pode gerar benefícios sociais amplos.

Para o especialista, o avanço da engenharia brasileira depende da consolidação de um ecossistema robusto de inovação, com maior integração entre governo, academia e indústria. Nesse cenário, a atuação de pesquisadores e engenheiros comprometidos com soluções práticas se torna fundamental para posicionar o Brasil de forma mais competitiva no cenário global.

Ao transformar conhecimento em aplicação concreta, a engenharia reafirma seu papel como motor do desenvolvimento. E, para Pedro Rodrigues de Castro Jalles, investir em pesquisa aplicada hoje é garantir que o país tenha condições de enfrentar os desafios tecnológicos e estruturais das próximas décadas.