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Detritos espaciais que queimam na atmosfera poluem o ar com metais, aponta pesquisa

Estudo alemão detecta, pela primeira vez, traço químico de poluição causado por reentrada de foguete da SpaceX

Publicado em 23/02/2026 às 12:57
Laser detecta metais liberados por detritos espaciais na alta atmosfera durante reentrada do Falcon 9. © Foto / SpaceX

Pesquisadores da Alemanha utilizaram lasers altamente sensíveis para rastrear uma nuvem de poluição de lítio causada pela entrada de parte do foguete SpaceX Falcon 9 nas camadas superiores da atmosfera, conforme divulgado pelo portal Science Alert.

De acordo com a publicação, uma equipe liderada por Robin Wing, do Instituto de Física Atmosférica Leibniz, empregou um sensor a laser capaz de identificar a fluorescência de vestígios de metais na mesosfera e na termosfera inferior.

Em 20 de fevereiro de 2025, os cientistas registraram um aumento claro e repentino na concentração de íons de lítio, provenientes de baterias e caixas metálicas artificiais usadas em satélites. Esses resíduos se diferenciam significativamente dos materiais meteoríticos naturais.

Por meio de modelagem de trajetória atmosférica, foi possível rastrear o momento e a altitude da liberação de lítio ao longo da rota de entrada do estágio descartado do Falcon 9, que queimou após atravessar a termosfera inferior em direção à mesosfera, sobre o Oceano Atlântico, a oeste da Irlanda.

Esquema para detectar poluentes metálicos camadas altas da atmosfera durante a combustão de detritos espaciais
Esquema para detectar poluentes metálicos camadas altas da atmosfera durante a combustão de detritos espaciais

Esta é a primeira evidência observacional de que detritos espaciais que retornam à atmosfera deixam um traço químico detectável, de origem humana, nas camadas superiores. É também a primeira vez que a poluição do ar resultante de um caso específico de reentrada de detritos espaciais é registrada a partir da Terra.

Embora as camadas altas da atmosfera sejam, em grande parte, pouco afetadas pela atividade humana, a nova era espacial está provocando o aumento de emissões de metais e outros poluentes provenientes de satélites, cascos de foguetes e detritos espaciais.

Vale ressaltar que esta não é a primeira vez que cientistas alertam para a poluição atmosférica causada por atividades espaciais. Estudos de 2024 já indicavam que emissões de alumínio e cloro associadas a lançamentos de foguetes e suas reentradas podem atrasar a recuperação da camada de ozônio.

Além disso, especialistas alertam que, até 2030, várias toneladas de material espacial deverão ser queimadas diariamente na alta atmosfera, o que indica que a poluição química tende a aumentar nos próximos anos.

Os pesquisadores defendem a criação de órgãos reguladores internacionais para, em conjunto com governos e cientistas, formar redes de monitoramento e desenvolver instrumentos capazes de rastrear as mudanças atmosféricas causadas por essa nova ameaça.

Por Sputnik Brasil