Detritos espaciais que queimam na atmosfera poluem o ar com metais, aponta pesquisa
Estudo alemão detecta, pela primeira vez, traço químico de poluição causado por reentrada de foguete da SpaceX
Pesquisadores da Alemanha utilizaram lasers altamente sensíveis para rastrear uma nuvem de poluição de lítio causada pela entrada de parte do foguete SpaceX Falcon 9 nas camadas superiores da atmosfera, conforme divulgado pelo portal Science Alert.
De acordo com a publicação, uma equipe liderada por Robin Wing, do Instituto de Física Atmosférica Leibniz, empregou um sensor a laser capaz de identificar a fluorescência de vestígios de metais na mesosfera e na termosfera inferior.
Em 20 de fevereiro de 2025, os cientistas registraram um aumento claro e repentino na concentração de íons de lítio, provenientes de baterias e caixas metálicas artificiais usadas em satélites. Esses resíduos se diferenciam significativamente dos materiais meteoríticos naturais.
Por meio de modelagem de trajetória atmosférica, foi possível rastrear o momento e a altitude da liberação de lítio ao longo da rota de entrada do estágio descartado do Falcon 9, que queimou após atravessar a termosfera inferior em direção à mesosfera, sobre o Oceano Atlântico, a oeste da Irlanda.

Esta é a primeira evidência observacional de que detritos espaciais que retornam à atmosfera deixam um traço químico detectável, de origem humana, nas camadas superiores. É também a primeira vez que a poluição do ar resultante de um caso específico de reentrada de detritos espaciais é registrada a partir da Terra.
Embora as camadas altas da atmosfera sejam, em grande parte, pouco afetadas pela atividade humana, a nova era espacial está provocando o aumento de emissões de metais e outros poluentes provenientes de satélites, cascos de foguetes e detritos espaciais.
Vale ressaltar que esta não é a primeira vez que cientistas alertam para a poluição atmosférica causada por atividades espaciais. Estudos de 2024 já indicavam que emissões de alumínio e cloro associadas a lançamentos de foguetes e suas reentradas podem atrasar a recuperação da camada de ozônio.
Além disso, especialistas alertam que, até 2030, várias toneladas de material espacial deverão ser queimadas diariamente na alta atmosfera, o que indica que a poluição química tende a aumentar nos próximos anos.
Os pesquisadores defendem a criação de órgãos reguladores internacionais para, em conjunto com governos e cientistas, formar redes de monitoramento e desenvolver instrumentos capazes de rastrear as mudanças atmosféricas causadas por essa nova ameaça.
Por Sputnik Brasil