ECONOMIA INTERNACIONAL

Diretor do Fed avalia pausa ou corte de juros em março após payroll forte

Christopher Waller, do Federal Reserve, diz que decisão dependerá de novos dados do mercado de trabalho e inflação.

Publicado em 23/02/2026 às 10:36
Diretor do Fed avalia pausa ou corte de juros em março após payroll forte AP/Patrick Semansky, Arquivo

O diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Christopher Waller, afirmou que a decisão entre pausar ou retomar o corte de juros na próxima reunião, marcada para março, dependerá da confirmação — ou não — de uma melhora sustentada no mercado de trabalho, após o forte resultado do payroll de janeiro.

Durante discurso em evento, Waller ponderou que, se os dados de fevereiro corroborarem a recuperação e vierem acompanhados de novo avanço da inflação rumo à meta de 2%, sua visão poderá se inclinar para uma pausa no encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) de março.

Por outro lado, caso os números frustrem a leitura de estabilização e apontem continuidade da fraqueza observada em 2025, haverá "um argumento igualmente plausível" para uma nova redução da taxa básica.

Waller destacou que o relatório de janeiro veio "substancialmente melhor do que eu esperava", com criação de vagas superior à dos nove meses anteriores combinados e avanço de 172 mil postos no setor privado. O resultado, segundo ele, foi uma "surpresa positiva" e sugere que o mercado pode estar virando a página.

O diretor ponderou, porém, que "um mês não é tendência", especialmente após um 2025 "extraordinariamente fraco para criação de empregos", possivelmente um dos piores anos fora de recessão em décadas. Waller observou que a criação líquida próxima de zero indica um mercado "fraco e frágil", apesar do ambiente de poucas contratações e poucas demissões.

O dirigente também ressaltou que as vagas de janeiro ficaram concentradas em poucos setores, como saúde e construção, e que indicadores privados divergiram do dado oficial, o que reforça a cautela. Ainda assim, afirmou que não pode descartar a possibilidade de que o mercado de trabalho tenha se estabilizado.

"Como as coisas estão hoje", avaliou Waller, os dois cenários — pausa ou corte — estão próximos de um "cara ou coroa", e a decisão dependerá essencialmente dos próximos dados de emprego.