ECONOMIA

Polarização global do ESG redefine critérios de reputação e competitividade das empresas

Por Bruna Marotta Publicado em 23/02/2026 às 10:52
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No livro "ESG e Comunicação para o Desenvolvimento Sustentável - A transformação das marcas de automóveis", André Senador analisa como o avanço regulatório na Europa e a reação anti-ESG nos Estados Unidos criam um ambiente de instabilidade estratégica, no qual indicadores intangíveis passam a influenciar diretamente a competitividade corporativa.

São Paulo, fevereiro de 2026 –  A competitividade empresarial entrou em uma nova fase. Em meio ao endurecimento regulatório da União Europeia e ao crescimento do movimento anti-ESG nos Estados Unidos, empresas que atuam globalmente enfrentam um ambiente de incerteza estratégica: ao mesmo tempo em que precisam atender a padrões mais rigorosos de transparência e sustentabilidade em determinados mercados, lidam com pressões políticas contrárias à agenda ESG em outros.

Essa polarização internacional não é apenas ideológica. Ela afeta decisões concretas de investimento, crédito, cadeias de suprimento e posicionamento institucional. Critérios ambientais, sociais e de governança deixaram de ser diferenciais reputacionais e passaram a integrar o núcleo das decisões estratégicas das organizações.

É o que sustenta o pesquisador e executivo André Senador no livro “ESG e Comunicação para o Desenvolvimento Sustentável – A transformação das marcas de automóveis”. A obra analisa como as transformações sociais, a ampliação do poder de pressão da sociedade — especialmente por meio das redes digitais — e o avanço de regulações internacionais alteraram profundamente os critérios de avaliação das empresas.

Segundo o autor, durante décadas o desempenho corporativo foi medido prioritariamente por indicadores tangíveis, como vendas, escala produtiva e resultados financeiros. Hoje, porém, atributos intangíveis como governança, transparência, sustentabilidade e responsabilidade social passaram a influenciar diretamente a reputação e a própria capacidade de permanência no mercado.

“A reputação corporativa se torna reflexo da capacidade de uma organização de integrar as novas demandas sociais às suas estratégias, sob pena de ver reduzido seu potencial de atuação no mercado”, afirma Senador.

Nesse novo contexto, o ESG deixa de ser uma camada institucional acessória e passa a funcionar como infraestrutura estratégica da organização. Sustentabilidade, governança e impacto social tornam-se critérios de avaliação de solidez e visão de longo prazo, influenciando decisões de investidores, parceiros comerciais e consumidores.

A obra também destaca que a crescente pressão regulatória europeia, que exige padrões mais estruturados de reporte e materialidade, contrasta com o movimento anti-ESG observado em parte do ambiente político norte-americano. Essa tensão cria um cenário de instabilidade para empresas brasileiras e latino-americanas que operam em cadeias globais.

Para Senador, a resposta a esse ambiente não está apenas na adoção de políticas sustentáveis, mas na capacidade de integrá-las de forma estratégica e coerente.

A comunicação, nesse processo, assume papel estruturante: mais do que divulgar iniciativas, passa a ser responsável por garantir consistência entre discurso e prática, transformando compromissos reais em legitimidade institucional. Sem esse alinhamento, a reputação deixa de ser ativo e pode se converter em vulnerabilidade competitiva.

Sobre o livro - ESG e Comunicação para o Desenvolvimento Sustentável – A transformação das marcas de automóveis analisa como a integração dos critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) passou a redefinir estratégias corporativas e processos de construção de reputação. A obra apresenta uma pesquisa baseada na análise de relatórios de sustentabilidade de grandes empresas do setor automotivo no Brasil, identificando diferentes níveis de maturidade na adoção e comunicação do ESG.

Ao longo de 158 páginas, o livro discute a evolução do conceito de sustentabilidade até o atual modelo ESG, o papel da comunicação na legitimação das estratégias corporativas e os impactos da polarização regulatória internacional — especialmente entre Europa e Estados Unidos — sobre empresas que atuam em cadeias globais.

Editora: Appris
Ano: 2025
ISBN: 978-65-250-8786-3

Sobre o autor - André Senador é PhD em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo, com estágio avançado de doutoramento na Universidade do Minho (Portugal). Executivo C-Level com mais de 30 anos de experiência em comunicação corporativa, atuou em empresas como Volkswagen, Mercedes-Benz e BASF. É fundador da Perennial Consultoria e membro do Conselho Consultivo da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial).Sua pesquisa concentra-se na relação entre reputação corporativa, sustentabilidade e comunicação estratégica no contexto das transformações sociais contemporâneas.