POLÍTICA INTERNACIONAL

Kim Jong-un é reeleito líder do partido e promete intensificar programa nuclear norte-coreano

Reeleição de Kim ocorre em meio a maior aproximação com Rússia e China, e reforça postura agressiva frente a EUA e Coreia do Sul.

Publicado em 23/02/2026 às 09:56
Kim Jong-un é reeleito líder do partido e promete intensificar programa nuclear norte-coreano Reprodução / internet

Kim Jong-un foi reeleito ao principal cargo do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, com delegados atribuindo a ele o fortalecimento do arsenal nuclear do país e o aumento da influência regional, conforme divulgou a mídia estatal.

O congresso, considerado um grande evento de propaganda, serviu para Kim estabelecer metas políticas e militares para os próximos cinco anos. O encontro indica que o regime pretende acelerar ainda mais o programa nuclear, que já conta com mísseis capazes de atingir tanto aliados asiáticos dos Estados Unidos quanto o próprio território americano.

Durante o evento, o partido anunciou uma nova composição do Comitê Central, confirmando uma mudança geracional no núcleo de poder. Chefes militares veteranos e o presidente do parlamento figurativo de Pyongyang foram substituídos no órgão, que agora conta com 138 membros.

O congresso ocorre em um momento de postura mais assertiva de Kim na região, após uma expansão agressiva do arsenal nuclear e um estreitamento de laços com a Rússia, inclusive no contexto da guerra na Ucrânia, o que aprofunda as tensões com Washington e Seul. Kim também reforçou relações com a China, realizando uma viagem a Pequim e uma cúpula com Xi Jinping.

Segundo a KCNA, Kim foi reeleito secretário-geral do partido com "vontade inabalável e desejo unânime" dos delegados. O partido afirma que o fortalecimento nuclear permite enfrentar "qualquer ameaça" e assegura o futuro do país, elevando o orgulho nacional. A agência chinesa Xinhua informou que Xi Jinping parabenizou Kim pela reeleição.

A nova lista do Comitê Central excluiu nomes como Choe Ryong Hae e os marechais Pak Jong Chon e Ri Pyong Chol, além de autoridades envolvidas no diálogo intercoreano, como Kim Yong Chol e Ri Son Gwon.

Desde o fracasso da cúpula de 2019 entre Kim Jong-un e Donald Trump, a Coreia do Norte suspendeu a diplomacia com Estados Unidos e Coreia do Sul. Pyongyang rejeita negociações condicionadas à desnuclearização e, em 2024, passou a tratar o Sul como inimigo permanente.

Fonte: Associated Press.