MERCADO FINANCEIRO

Dólar avança com cautela após novas tarifas dos EUA

Moeda americana opera em alta leve após anúncio de aumento de tarifas globais por Trump; Ibovespa recua e mercado monitora acordos internacionais e projeções econômicas.

Publicado em 23/02/2026 às 09:50
Dólar avança com cautela após novas tarifas dos EUA Reprodução

O dólar opera em leve alta no mercado à vista na manhã desta segunda-feira, 23, refletindo a cautela internacional após a moeda americana ter encerrado a sexta-feira (20) em queda de 0,98%, cotada a R$ 5,1759 — o menor nível desde maio de 2024, acumulando perda semanal de 1,03%.

Os juros futuros acompanham o movimento de valorização do dólar, impulsionados também pela retaliação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou no sábado a elevação da chamada Tarifa Mundial de 10% para 15%. A decisão veio após a Suprema Corte dos EUA derrubar o tarifaço comercial anterior na sexta-feira. O Ibovespa futuro recuava 0,51% pouco depois das 9h30, alinhando-se às perdas dos índices futuros das Bolsas de Nova York.

Em Seul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, anunciaram nesta segunda-feira um plano de ação para estreitar a relação bilateral. O acordo inclui memorandos de entendimento nas áreas de saúde, estética, agronegócio e intercâmbio de pessoas.

Segundo Lula, não há justificativa para o protecionismo econômico e o Brasil está pronto para avançar nos procedimentos sanitários que permitam a venda de carne para a Coreia. O presidente discursou durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul.

A consultoria Capital Economics avaliou que a nova tarifa global de 15% dos EUA pode reduzir a vantagem do Sudeste Asiático sobre a China no comércio de eletrônicos. O relatório destaca que a China tende a ser a principal beneficiada, já que exceções recíprocas farão a tarifa efetiva americana sobre o país cair de 32% para 23%, considerando o fluxo comercial de 2024.

No cenário doméstico, o relatório Focus aponta que a mediana da inflação suavizada para os próximos 12 meses segue em 3,95%, ante 4,01% há um mês. A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 3,95% para 3,91%, permanecendo abaixo do teto da meta de 4,50%. Para 2027, a estimativa foi mantida em 3,80% pela 16ª semana consecutiva.

No setor corporativo, a Natura Cosméticos informou que a Corte de Apelação da Califórnia (EUA) manteve condenação de US$ 68,8 milhões contra a Avon Products, Inc. no caso Chapman, relacionado a amianto em talco. A empresa firmou acordo para encerrar o processo, com seguro-garantia da subsidiária Natura&Co Luxembourg cobrindo eventual pagamento.

Já o grupo Enel anunciou um plano estratégico para 2026-2028, prevendo investimentos de 53 bilhões de euros — um aumento de 23%. O foco será em redes, energias renováveis e clientes finais. Cerca de 26 bilhões serão destinados a renováveis e outros 26 bilhões a redes, ampliando ativos regulatórios em 22%. A América Latina deve receber 9 bilhões, sujeitos a cenários regulatórios estáveis.