CONFLITO EM SANTARÉM

SRB repudia invasão ao terminal da Cargill e exige ação do governo

Entidade pede normalização das operações portuárias e responsabilização dos envolvidos após protestos de indígenas contra decreto federal

Publicado em 23/02/2026 às 09:08
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) manifestou repúdio nesta segunda-feira (23) à invasão do terminal portuário da Cargill em Santarém (PA), ocorrida na madrugada de sábado (21), e cobrou ação imediata dos Poderes Executivo e Judiciário para restabelecer as operações no local. Em nota, a entidade classificou como "inaceitável" a invasão de propriedade privada, acompanhada de depredação e intimidação de funcionários.

Segundo a SRB, as reivindicações indígenas "se referem ao decreto do governo federal que inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização" e, por isso, "devem ser discutidas entre o poder público e as comunidades, sem prejuízo ao funcionamento de empresas privadas". A entidade também pediu a responsabilização dos envolvidos em eventuais crimes durante os protestos.

O impasse tem origem no Decreto nº 12.600, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2025, que incluiu os rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização, abrindo espaço para concessão de navegabilidade e obras de dragagem.

Para os indígenas do Conselho Tapajós e Arapiuns (Cita), a medida ameaça a qualidade da água e a pesca nas comunidades ribeirinhas. O governo federal, por sua vez, afirma que o decreto autoriza apenas estudos técnicos e não prevê privatização.

Os protestos começaram em 22 de janeiro, com bloqueio ao acesso de veículos ao terminal. Após 30 dias sem resposta do governo federal, o Cita intensificou as ações. Na noite de sexta-feira (20), manifestantes vandalizaram a fachada do escritório central da Cargill em São Paulo. Já na madrugada de sábado (21), grupos invadiram o complexo portuário em Santarém, interrompendo totalmente as operações.

A Justiça Federal recusou analisar o pedido da Cargill para retirada dos manifestantes em regime de plantão. O Ministério Público Federal questionou a intimação feita aos indígenas para desocupação da área, considerando o ato irregular.

O terminal de Santarém movimentou cerca de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho em 2025, o equivalente a aproximadamente 70% de todos os grãos embarcados no porto paraense, de acordo com dados do setor portuário.

No domingo (22), o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou a suspensão da licitação de dragagem e informou que reuniões estavam previstas para esta segunda-feira (23) com a Secretaria-Geral da Presidência, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo do Pará.

Outras entidades do setor, como a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), já haviam divulgado notas de repúdio à invasão nos dias anteriores.