Em Seul, Lula e presidente sul-coreano lançam plano de ação bilateral
Brasil e Coreia do Sul firmam parceria estratégica e anunciam iniciativas em saúde, agronegócio, educação e tecnologia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, anunciaram nesta segunda-feira (23), em Seul, um plano de ação para aprofundar a relação bilateral. O acordo prevê memorandos de entendimento nas áreas de saúde, estética, agronegócio e intercâmbio de pessoas.
"Hoje, elevamos o relacionamento entre Brasil e Coreia ao patamar de parceria estratégica e lançamos um plano de ação com iniciativas concretas para os próximos três anos", afirmou Lula, que iniciou viagem de Estado ao país asiático nesta segunda-feira.
Lula destacou as semelhanças nas trajetórias políticas recentes de ambos os países: "Nos anos 80, após longos períodos de luta e resistência, conquistamos a redemocratização. Quatro décadas depois, enfrentamos novamente tentativas de golpe de Estado. Felizmente, quando colocadas à prova, nossas democracias mostraram firmeza e resiliência. Diante de ataques às instituições nacionais, reafirmamos a força da soberania popular", declarou.
Em dezembro de 2024, o então presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol decretou lei marcial e cercou o Parlamento, numa tentativa de golpe de Estado. Na semana passada, Yoon foi condenado à prisão perpétua. No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão pelo mesmo crime.
"Em tempos de extremismos, desinformação e ameaças autoritárias, é fundamental articular lideranças comprometidas com valores democráticos", frisou Lula, que convidou Lee Jae Myung para um encontro em defesa da democracia, em Barcelona, em abril. "Brasil e Coreia são firmes defensores da paz, do multilateralismo e do direito internacional."
No agronegócio, Lula reforçou o interesse brasileiro na abertura do mercado sul-coreano para a carne nacional: "Expus ao presidente Lee que a conclusão dos procedimentos sanitários para a exportação de carne bovina brasileira poderá beneficiar os consumidores coreanos", disse. Também foram firmadas parcerias em adaptação climática, bioeconomia, segurança alimentar e tecnologias agroindustriais.
Ambos os presidentes demonstraram interesse em retomar as negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul, suspensas desde 2021. Lula destacou ainda que o Brasil é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina.
Os líderes ressaltaram a importância dos intercâmbios culturais. Lee mencionou a inspiração da bossa nova na música sul-coreana, enquanto Lula lembrou que a culinária, a produção audiovisual e a música pop da Coreia do Sul "têm no Brasil milhões de admiradores". O plano de ação inclui ainda parcerias em educação, como a promoção da língua coreana no Brasil e intercâmbio de estudantes.
Lula anunciou que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitará um hospital inteligente na Coreia do Sul para trazer as melhores práticas ao setor no Brasil.
No campo científico, os acordos abrangem biotecnologia, setor aeroespacial, transição digital, comunicações móveis avançadas e internet das coisas. "A inteligência artificial será igualmente objeto de iniciativas conjuntas de apoio a startups, micro, pequenas e médias empresas", acrescentou Lula.
Lula lembrou suas visitas anteriores ao país, em 2005 e 2010, ressaltando que, desde então, nenhum outro chefe de Estado brasileiro esteve na Coreia do Sul: "Esse hiato é incompatível com os vínculos sociais e econômicos existentes entre nossos povos".
Ainda nesta segunda-feira, Lula participa do Encontro Empresarial Brasil-Coreia do Sul e comparece a um banquete oferecido pelo presidente sul-coreano.