DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Primeiro-ministro da Groenlândia recusa envio de navio-hospital proposto por Trump

Líder groenlandês pede diálogo direto e critica comentários aleatórios dos EUA sobre assistência médica na ilha

Publicado em 23/02/2026 às 01:05
Primeiro-ministro groenlandês recusa navio-hospital dos EUA e defende sistema público de saúde. © AP Photo / Evgeniy Maloletka

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de enviar um navio-hospital à ilha. Nielsen solicitou que os EUA priorizem o diálogo direto em vez de publicarem "comentários aleatórios" nas redes sociais.

Nos últimos dias, Trump anunciou a intenção de enviar um hospital flutuante para a Groenlândia, afirmando que a embarcação "já estava a caminho" para atender os moradores locais.

"Dizemos 'não, obrigado'. Tomamos nota da ideia do presidente Trump de enviar um hospital flutuante americano para a Groenlândia", declarou Nielsen em uma rede social.

O primeiro-ministro destacou que a Groenlândia conta com assistência médica pública gratuita, diferente dos Estados Unidos, onde o atendimento é pago.

"Estamos sempre abertos ao diálogo e à cooperação, inclusive com os Estados Unidos, mas em vez de publicar comentários mais ou menos aleatórios nas redes sociais, falem conosco", reforçou Nielsen.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também comentou o episódio, expressando satisfação por viver em um país onde todos têm acesso gratuito e igualitário à saúde — modelo igualmente adotado na Groenlândia.

Em 25 de janeiro, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou que um diagnóstico de câncer na Groenlândia seria "praticamente uma sentença de morte". Dias depois, o eurodeputado dinamarquês Henrik Dahl acusou Waltz de mentir e afirmou que ele provavelmente nem sequer se envergonhava disso.

A Groenlândia é parte do Reino da Dinamarca. Trump já declarou várias vezes que a ilha deveria pertencer aos Estados Unidos. Líderes dinamarqueses e groenlandeses têm reforçado às autoridades norte-americanas a necessidade de respeitar a integridade territorial do Reino.

Por Sputnik Brasil