EUA suspendem programa Global Entry durante paralisação parcial do governo
Suspensão do Global Entry agrava desafios nos aeroportos; tempestade de neve intensifica impactos para viajantes
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) anunciou neste domingo (22) a suspensão do programa Global Entry, que permite a viajantes pré-aprovados passar pela alfândega em filas expressas, enquanto durar a paralisação parcial do governo federal. O anúncio atualiza a incerteza do dia anterior, quando o órgão havia cogitado suspender também o PreCheck, programa de triagem acelerada da Administração de Segurança nos Transportes (TSA), mas voltou atrás.
"À medida que surgirem restrições de pessoal, a TSA avaliará caso a caso e ajustará as operações conforme necessário", informou a agência, confirmando que o PreCheck segue funcionando normalmente. O Global Entry, porém, permanece suspenso por tempo indeterminado.
Até o início da tarde, o impacto imediato nos aeroportos era limitado. Passageiras ouvidas pela Associated Press relataram ter passado pelo PreCheck sem alterações perceptíveis. Segundo o aplicativo da TSA, os tempos de espera nos principais aeroportos internacionais estavam abaixo de 15 minutos.
No entanto, o cenário pode piorar nos próximos dias. Uma forte tempestade de inverno avança pela Costa Leste dos EUA a partir deste domingo, e nove em cada dez voos nos aeroportos JFK e LaGuardia, em Nova York, e no Logan, em Boston, já foram cancelados para a segunda-feira (23).
O Global Entry reduz o tempo médio de passagem pela alfândega de até 90 minutos nas filas convencionais para cerca de 5 a 10 minutos. Em 2024, o DHS informou que mais de 20 milhões de americanos tinham o PreCheck, muitos deles também com o Global Entry associado.
A paralisação parcial do governo começou em 14 de fevereiro, após democratas e a Casa Branca não chegarem a um acordo para financiar o DHS. A oposição exige mudanças nas operações de imigração, ponto central da campanha de deportações do presidente Donald Trump. A secretária do DHS, Kristi Noem, declarou no sábado (21) que "paralisações têm consequências sérias no mundo real" e anunciou a suspensão do acompanhamento especial de parlamentares nos aeroportos durante a crise.
A associação Airlines for America criticou a condução do processo, alegando que o anúncio foi feito "com prazo extremamente curto, dando aos viajantes pouco tempo para se planejar". Já o senador democrata Andy Kim, de Nova Jersey, acusou o governo de usar a situação como instrumento político. "Esta administração está tentando usar nosso governo como arma, tornando as coisas intencionalmente mais difíceis para o povo americano como alavanca política", declarou à CNN.
Fonte: Associated Press.