Tarifas de Trump podem comprometer cortes de juros nos EUA, aponta imprensa
Aumento tarifário anunciado por Trump eleva incerteza econômica e pressiona inflação, dificultando redução das taxas de juros pelo Fed.
Após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar as tarifas globais implementadas pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (20), o mandatário anunciou uma nova tarifa de 10%, rapidamente elevada para 15%. Segundo o jornal The Guardian, essa decisão pode prejudicar as perspectivas de cortes significativos nas taxas de juros norte-americanas ainda este ano.
De acordo com a publicação, com a elevação para 15%, a tarifa média efetiva deve subir para 14,5% nos próximos 150 dias — superando o patamar anterior à decisão da Suprema Corte, que revogou as tarifas recíprocas.
“Isso significa que os importadores norte-americanos continuarão pagando preços mais altos por produtos do exterior, o que terá um impacto indireto sobre a inflação”, destaca o jornal.
Esse cenário pressiona o Sistema da Reserva Federal dos EUA (Fed) a manter as taxas de juros elevadas, em vez de reduzi-las de forma significativa, como deseja o presidente Trump.
O texto também ressalta que as atas das reuniões do Fed revelam divergências entre os dirigentes, com parte deles considerando até mesmo um novo aumento das taxas para conter a inflação.
Como consequência, a incerteza econômica se amplia, desestimulando investimentos e o consumo das famílias.
O The Guardian conclui que a política tarifária de Trump pode desencadear uma recessão e enfraquecer as expectativas de uma recuperação rápida da economia dos Estados Unidos.
Anteriormente, o economista independente Alasdair Macleod afirmou à Sputnik que, ao considerar certas tarifas ilegais, a Suprema Corte pode obrigar Washington a devolver centenas de bilhões de dólares a importadores, gerando incerteza global e pressionando o governo Trump às vésperas das eleições de 2026.
Segundo Macleod, a decisão judicial de classificar as tarifas como “ilegais” implica que importadores norte-americanos podem receber reembolsos expressivos, estimados em “algumas centenas de bilhões” de dólares.