RELAÇÕES EXTERIORES

“É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil”, diz Lula, na despedida da Índia

Por Secom/Presidência da República Publicado em 22/02/2026 às 10:03
O presidente Lula afirmou ter certeza que o Brasil é um dos países de maior credibilidade em nível internacional: "Isso só é possível com muito trabalho e com muita seriedade" Ricardo Stuckert / PR

Em coletiva de imprensa concedida neste domingo (22), antes do embarque para a Coreia do Sul, presidente exalta o momento do Brasil no cenário internacional, faz projeções otimistas, diz o que espera do encontro com Donald Trump, ressalta o BRICS e volta a cobrar uma reformulação na ONU

Ao fazer um balanço de sua visita à Índia neste domingo (22), durante entrevista coletiva concedida antes do embarque para a Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou os resultados da missão e afirmou que é preciso seguir apresentando ao planeta as potencialidades do Brasil. “É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil. Em apenas três anos e dois meses, nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros. É mais do que tudo que a gente já tinha alcançado em muito tempo”, disse o presidente. “Nós não temos preferência comercial. O Brasil tem interesses comerciais. E o faremos com quem quiser fazer, desde que seja uma política de ganha-ganha”, destacou.

Nós não temos preferência comercial. O Brasil tem interesses comerciais. E o faremos com quem quiser fazer, desde que seja uma política de ganha-ganha”

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República

Lula lembrou que, há 21 anos, esteve na Índia e, ao retornar ao Brasil, celebrou o marco de 100 bilhões de dólares de comércio exterior. Desde então, esse montante foi multiplicado em mais de seis vezes. “Hoje, esse comércio está por volta de 649 bilhões de dólares. E eu espero que, dentro de algum tempo, a gente possa comemorar um trilhão de dólares de comércio exterior”.

Da mesma forma, o presidente mostrou otimismo em relação à ampliação do fluxo comercial com a Índia após esta viagem. “O primeiro-ministro (Narendra) Modi estabeleceu comigo a ideia de que nós precisamos ter uma meta para chegar a 20 bilhões (de dólares) até 2030. Eu disse: nós vamos chegar a 30 bilhões em 2030, porque o potencial econômico dos dois países é muito forte”. Em 2025, o fluxo bilateral superou 15 bilhões de dólares pela primeira vez na história, um crescimento de 25% em relação a 2024.


Lula ressaltou ainda que o momento do Brasil no cenário internacional é fruto de um intenso trabalho para reposicionar a imagem do país. “Tudo está acontecendo tal como estava previsto e tal como nós trabalhamos. Porque foi com muito trabalho que a gente conseguiu oferecer aos empresários internacionais previsibilidade, estabilidade fiscal, estabilidade econômica, estabilidade social e estabilidade jurídica. E hoje eu tenho certeza de que o Brasil é um dos países de maior credibilidade em nível internacional. Isso só é possível com muito trabalho e com muita seriedade”.


>> Declaração do presidente Lula à imprensa, em Nova Délhi, por ocasião da visita de Estado à Índia


ACORDOS GOVERNAMENTAIS – Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira falou antes do presidente Lula e fez um balanço detalhado da agenda na Índia, destacando os acordos que foram fechados. “Os dois chefes de Estado concordaram em priorizar iniciativas de cooperação nas áreas de defesa, aviação civil e militar, comércio, investimentos, saúde, indústria farmacêutica, ciência e tecnologias digitais, energia, minerais críticos, cooperação espacial, educação e cultura. Por ocasião dessa visita, foram assinados 11 acordos governamentais. Dentre eles, destaco a declaração que estabeleceu a parceria digital para o futuro, além de instrumentos nas áreas dos minerais críticos, propriedade intelectual, saúde, serviços postais, empreendedorismo e certificados de origem, entre vários outros. Foram também firmados três instrumentos público-privados entre universidades, fundações e outros entes governamentais”, listou o ministro.


MAIOR DAS MISSÕES – Presidente da ApexBrasil, Jorge Viana foi além e classificou a visita à Índia como a mais profícua de todas as realizadas nesta gestão pelo Governo do Brasil. “De todas as missões, acho que essa foi a maior, com extraordinários resultados, e que tem um futuro extraordinário pela frente. Nós inauguramos o escritório da Apex aqui em Nova Délhi, que já está funcionando. Nós colocamos produtos do Brasil na maior rede de supermercados daqui de Nova Délhi. Amanhã, vamos colocar na maior rede de supermercados de Mumbai. São pelo menos 40 lojas que já vão ter produtos brasileiros: castanha, açaí, limão, frutos”, revelou Viana, que também afirmou que em breve haverá um voo direto de Nova Délhi para o Brasil, o que facilitará ainda mais os fluxos comerciais e turísticos.

Acompanhe os principais pontos da entrevista do presidente Lula:


ESTADOS UNIDOS E DONALD TRUMP – A pauta que eu quero conversar com o presidente norte-americano é muito mais ampla do que minerais críticos. Nós temos uma relação diplomática de 201 anos. É uma relação muito sólida. O que eu quero conversar com o Trump é a relação entre o Brasil e os Estados Unidos. Eu não sei qual é a pauta dele, mas eu espero que, depois dessa reunião, a gente possa estar garantindo que a gente voltou a ter uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa. Nós queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário. Se isso for possível, eu acho que tudo voltará à normalidade.


DERRUBADA DAS TARIFAS DOS EUA – Eu quero conversar com o Trump pessoalmente, sentar em torno de uma mesa para conversar com muita seriedade sobre a importância da relação civilizada entre Brasil e Estados Unidos. E obviamente que eu não tenho como ficar medindo a decisão da Suprema Corte americana. Não tem como um presidente de outro país julgar a decisão da Suprema Corte. Alguém recorreu, a Corte tomou a decisão. Certamente, ele já tomou novas medidas, alguém vai recorrer, vai ter outra decisão. Da nossa parte, o que nós achamos é que houve um alívio para muitos países que estavam taxados em 50% e 40%. Agora para todo mundo vai ser 15%. Eu estou convencido que na conversa a relação Brasil-Estados Unidos vai voltar à normalidade. Eles têm interesse, nós temos interesse. Se taxar alguns produtos nossos vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano. Ele já sabe disso.
 

REUNIÕES COM MODI E EMPRESÁRIOS INDIANOS – Não discutimos nenhum problema que fosse polêmico entre nós dois, porque eu não vim aqui para discutir a divergência, eu vim aqui para discutir a confluência. E eu tenho muita afinidade com o primeiro-ministro Modi. Posso dizer que os empresários indianos são muito otimistas com relação aos seus investimentos no Brasil. O que nos une nesse instante é a nossa briga para que as nossas economias sejam fortalecidas e a gente possa sair da situação que a gente se encontra. Nós queremos nos transformar em países altamente desenvolvidos.


REFORMULAÇÃO NA ONU – Nós precisamos ter fóruns para discutir as coisas, porque senão as coisas não mudam. Nós estamos reivindicando há muito tempo a mudança no estatuto da ONU e a mudança no Conselho de Segurança da ONU, dos membros permanentes, mas também a mudança dos países. Precisa ter mais gente no Conselho de Segurança. Não tem nenhum país do continente africano, não tem nenhum da América Latina. Só tem a China, da Ásia. Por que a Índia não está no Conselho de Segurança da ONU? Um país com um bilhão e quatrocentos milhões de seres humanos. Por que o Brasil não está? Por que a Alemanha não está? Por que o México não está? Por que a Nigéria não está? Por que o Egito não está? Você tem muitos países com mais de cem milhões de habitantes que poderiam estar, para quê? Para mudar. Para a ONU voltar a ter eficácia, a ter representatividade. Porque do jeito que está a ONU, ela tem hoje pouquíssima eficácia. Ela não resolve nenhum problema. É preciso fortalecer a ONU se a gente quer que prevaleça uma instituição de importância vital para a manutenção da paz e da harmonia no mundo. Eu acho que, juntos, esses países em desenvolvimento e os países do Sul Global podem mudar a lógica econômica do mundo.


BRICS – O BRICS é um processo de formação de um grupo muito forte. Quase metade da humanidade. O que nós precisamos é ter consciência de que 10 membros do BRICS participam do G20. Por que foi construído o G20? Por conta da crise do subprime causada em 2008. Por que foi criado o BRICS? Por conta das reuniões que a gente fazia com a Índia, com a China e com a Rússia. A gente está dando uma certa cara a um grupo que era marginalizado, que era o chamado pessoal do Sul Global. E nós temos pretensões políticas. Criamos um banco, que é o banco do BRICS. Tudo nosso é muito novo ainda. O que nós queremos é fortalecer um grupo. Quem sabe esse grupo, fortalecido, vai se juntar ao G20 e quem sabe um dia a gente tenha só um grupo, um G30. Eu estou convencido de que o BRICS é um jeito da gente ter o equilíbrio geopolítico no planeta Terra.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República