TENSÃO DIPLOMÁTICA

Irã reage com firmeza após críticas dos EUA e classifica forças europeias como terroristas

Decisão iraniana ocorre após declarações de embaixador dos EUA e tensão crescente com países ocidentais. Mundo árabe condena postura americana.

Publicado em 21/02/2026 às 19:32
Presidente iraniano reafirma resistência após críticas dos EUA e resposta à União Europeia. © AP Photo / Vahid Salemi

O governo do Irã reafirmou neste sábado (21) sua postura de resistência frente a pressões externas e anunciou a designação das forças navais e aéreas dos países da União Europeia como organizações terroristas.

A medida foi tomada em meio ao aumento das tensões diplomáticas e após declarações de um enviado norte-americano provocarem reações negativas no mundo árabe.

Em Teerã, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o Irã não cederá a pressões durante as negociações nucleares com os Estados Unidos. Ele ressaltou que o país seguirá buscando seus objetivos, sem abrir mão de sua posição, e defendeu a unidade nacional para enfrentar os desafios.

O contexto das declarações é de reforço militar dos EUA no Oriente Médio e de negociações indiretas entre Washington e Teerã focadas no programa nuclear iraniano e na suspensão de sanções.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã justificou a classificação das marinhas e forças aéreas da União Europeia como organizações terroristas como resposta à decisão europeia de rotular a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã como grupo terrorista. Segundo Teerã, a medida europeia seria ilegal e contrária à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional.

A tensão se intensificou após o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, declarar que Israel teria um "direito bíblico" de controlar todo o Oriente Médio ou grande parte da região, declaração que gerou forte repúdio entre países árabes.

A Liga Árabe classificou as falas como "altamente extremistas". O secretário-geral Ahmed Aboul-Gheit afirmou que os comentários são incompatíveis com princípios diplomáticos e apenas alimentam tensões religiosas e nacionais, justamente em um momento de esforços para consolidar um cessar-fogo na Faixa de Gaza e avançar em um processo político de paz.

O Ministério das Relações Exteriores do Egito manifestou "espanto" e considerou as declarações uma violação flagrante do direito internacional. O chanceler saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, alertou para as graves consequências desse tipo de retórica, que pode ameaçar a paz e a segurança internacionais ao aprofundar divisões na região.

Por Sputnik Brasil