RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Governo brasileiro aposta em diálogo após Trump anunciar tarifa de 15%

Após nova tarifa dos EUA, governo Lula reforça estratégia diplomática e destaca superávit comercial como argumento

Publicado em 21/02/2026 às 15:30
O presidente Donald Trump AP/Evan Vucci

Integrantes do governo brasileiro avaliam que ainda é cedo para fazer um diagnóstico definitivo sobre as recentes decisões do governo dos Estados Unidos, mas garantem que a estratégia seguirá fundamentada no diálogo bilateral.

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou neste sábado (21) o aumento imediato das tarifas globais de 10% para 15%, após decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou o tarifaço anterior.

No mesmo dia em que a Corte máxima dos EUA barrou a medida, Trump publicou uma ordem executiva estabelecendo tarifa global de 10% por 150 dias. Neste sábado, elevou o percentual para 15% por meio de postagem em sua rede social.

Na ordem executiva, o governo dos EUA também confirmou a continuidade das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre supostas práticas abusivas, incluindo o Brasil entre os países investigados.

Diálogo será mantido, diz governo brasileiro

O resultado da balança comercial entre Brasil e EUA segue como argumento central do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para contestar a justificativa das tarifas. Autoridades brasileiras consideram que o tarifaço é injustificado diante do superávit americano no comércio bilateral.

O anúncio de Trump ocorreu enquanto parte da equipe do presidente Lula está em missão oficial na Índia e na Coreia do Sul. Fontes do governo ouvidas sob reserva afirmam ser prematuro avaliar os impactos práticos da nova ordem executiva para o Brasil.

Mesmo assim, o governo brasileiro reforça que insistirá no diálogo nas próximas semanas. Está prevista uma reunião entre Lula e Trump nos Estados Unidos em março.

Outro ponto destacado por membros do governo é o fato de o Brasil ser um dos poucos países com quem os EUA mantêm superávit comercial, argumento considerado relevante nas negociações, ainda que não garanta sucesso imediato.

Pix e 25 de Março entram na mira dos EUA

A investigação americana sobre o Brasil inclui, por exemplo, o sistema de pagamentos Pix e o comércio da rua 25 de Março, em São Paulo. Embora não cite diretamente o Pix, o relatório aponta possíveis práticas desleais relacionadas a serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo brasileiro.

No caso da 25 de Março, a investigação alega que o Brasil não assegura proteção adequada aos direitos de propriedade intelectual, citando a região como um dos maiores mercados de produtos falsificados, apesar de operações policiais.

Outros temas abordados na investigação, aberta pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, incluem o desmatamento ilegal e tarifas sobre o etanol brasileiro.