COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

'Superar nossa dependência tecnológica': ministra detalha parceria com Índia à Sputnik Brasil

Luciana Santos destaca iniciativas do BRICS para fortalecer a soberania tecnológica e industrial dos países membros, com foco em infraestrutura e minérios estratégicos.

Por Sputinik Brasil Publicado em 21/02/2026 às 11:25
Ministra Luciana Santos detalha avanços em cooperação tecnológica entre Brasil e Índia durante visita oficial. © Sputnik / Captação de vídeo

Desenvolvimento de cabo de fibra óptica, através do BRICS, é uma das iniciativas concretas do grupo para fortalecer a soberania de seus membros, diz Luciana Santos.

"Em um mundo de múltiplas crises e com a ofensiva norte-americana, nós compreendemos a necessidade de caminhar cada vez mais para superar a nossa dependência tecnológica."

A declaração resume o foco das relações entre Brasil e Índia, conforme destacou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, em entrevista à Sputnik Brasil durante visita oficial à Nova Deli, integrando a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em sua fala, Luciana Santos recordou a longa parceria entre os dois países — as relações diplomáticas datam de 1948, poucos meses após a independência indiana — e citou o lançamento do primeiro satélite 100% brasileiro, o Amazônia 1, realizado a partir do centro espacial Satish Dhawan, na Índia.

No âmbito do BRICS, outro exemplo prático é o estudo de viabilidade conduzido pelo Novo Banco de Desenvolvimento para conectar os países do bloco e outras nações do Sul Global por meio de um cabo de fibra óptica próprio, reduzindo a dependência de redes controladas por potências do Norte.

"Esse é um dos exemplos importantes de cooperação objetiva, de infraestrutura, de pesquisa, muito fundamental, que é a gente ter nossos dados circulando com nossas próprias infraestruturas."

Minérios críticos e tecnologia

Luciana Santos também ressaltou que Brasil e Índia compartilham papéis estratégicos na nova revolução industrial, ambos detendo reservas de minérios críticos como lítio e terras raras. Segundo a ministra, o Brasil busca desenvolver, em parceria com a Índia, o domínio tecnológico no processamento desses recursos.

"Nós não queremos só exportar os minérios críticos, nós queremos manufaturar no Brasil, e a experiência que a Índia tem e a própria China tem na área de terras raras nos interessa muito nessa perspectiva, para garantir que o Brasil possa entrar nesse mercado tão promissor e estratégico."

Essa busca pelo desenvolvimento próprio, em vez de uma economia baseada apenas na exportação de matérias-primas, une países como Brasil, Índia e outros do Sul Global, afirmou Santos. "Nós, países do Sul Global [...] temos estágios muito parecidos de desenvolvimento e até de domínio tecnológico."

A ministra também citou investimentos indianos já realizados no Brasil em áreas como transição energética, transmissão de energia e fertilizantes, além de parcerias acadêmicas, como a entre a Universidade do Paraná e a Universidade de Bangalore para pesquisa em computadores de alto desempenho, e outras iniciativas pelo Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. "Ele já é importante, mas a gente pode fazer muito mais quando intensificar essa cooperação.", afirmou.

"E agora ganha importância a questão dos semicondutores e da transformação digital", acrescentou Luciana Santos, lembrando que um dos principais temas da viagem de Lula foi a participação na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, onde o presidente defendeu uma regulação da IA que priorize o desenvolvimento em vez de interesses meramente financeiros.

"Todo esse debate da transformação digital, de semicondutores, que é um insumo muito importante para tudo que é cadeia produtiva no mundo, a gente tem muito a ganhar com a cooperação intensa com os indianos."