TENSÃO ENTRE PODERES

Trump critica Suprema Corte após derrota em política tarifária

Presidente dos EUA ataca juízes conservadores nomeados por ele após decisão desfavorável e cobra lealdade à Constituição

Publicado em 21/02/2026 às 10:00
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump © AP Photo / Andrew Harnik

O presidente Donald Trump intensificou seus ataques à Suprema Corte dos Estados Unidos após o tribunal derrubar sua política tarifária nesta sexta-feira, 20. Em coletiva de imprensa, o republicano dirigiu críticas contundentes aos juízes conservadores que votaram contra a medida, classificando a decisão como "terrível", "antipatriótica" e "desleal à Constituição". A crítica atinge diretamente a composição da Corte, que Trump ajudou a moldar durante seu primeiro mandato.

O alvo principal da insatisfação presidencial foram os juízes Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett, ambos indicados por Trump. O presidente afirmou que as famílias dos magistrados "deveriam estar envergonhadas" pelo voto e os chamou, juntamente com o presidente da Suprema Corte, John Roberts, de "tolos e capachos" de republicanos moderados e democratas de esquerda. Embora tenha evitado afirmar se se arrepende das indicações, Trump usou a palavra "vergonha" para descrever a atuação dos juristas no caso.

Em contrapartida, Trump elogiou nominalmente os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh, agradecendo aos três pela "força, sabedoria e amor pelo país" ao apresentarem votos favoráveis às tarifas. Em relação à ala liberal do tribunal, Trump adotou um tom menos pessoal, dizendo que, embora discorde de suas opiniões, "não se pode questionar a lealdade deles" às próprias convicções.

A tensão entre o Executivo e o Judiciário deve marcar o discurso do Estado da União, em que o presidente dos EUA se apresenta perante uma sessão conjunta do Congresso no Capitólio, previsto para a próxima terça-feira. Trump sinalizou que os juízes da maioria estão "mal convidados" para a sessão, embora, formalmente, os convites partam da presidência da Câmara. "Honestamente, não me importo se eles vierem ou não", declarou.