INVESTIGAÇÃO REAL

Polícia faz novas buscas em residências ligadas ao ex-príncipe Andrew

Operação ocorre após prisão do irmão do rei Charles III, investigado por vazamento de documentos e ligação com Jeffrey Epstein.

Publicado em 21/02/2026 às 08:40
O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor Jordan Pettitt/Pool via AP, arquivo

Autoridades britânicas realizaram nesta sexta-feira, 20, pelo segundo dia consecutivo, buscas em imóveis ligados ao ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III. Na quinta-feira, 19, Andrew passou 12 horas detido no âmbito de uma investigação que apura se ele teria divulgado documentos confidenciais a Jeffrey Epstein, financista americano condenado por crimes sexuais e morto em uma prisão de Nova York, em 2019.

Segundo a emissora BBC, viaturas da polícia foram vistas no Royal Lodge, residência real em Windsor, onde Andrew viveu até o início do mês. Ele precisou deixar o imóvel após ser destituído do título real, em meio à repercussão de sua relação próxima com Epstein.

As operações policiais também ocorreram em endereços da realeza nos condados de Berkshire e Norfolk, incluindo a Sandringham House, onde Andrew reside atualmente.

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, em janeiro, apontam que Andrew trocou e-mails com Epstein, em 2010, tratando de oportunidades de negócios. Na época, Andrew era representante comercial do Reino Unido e teria enviado relatórios sobre viagens oficiais à Ásia.

Escândalo

O crime pelo qual Andrew é investigado prevê pena máxima de prisão perpétua. No entanto, especialistas consideram mais provável uma pena branda caso haja condenação.

A situação arrastou a monarquia britânica para o centro do maior escândalo desde a morte da princesa Diana, em 1997. O rei Charles III afirmou ter recebido a notícia da prisão do irmão com "preocupação", mas defendeu um processo "completo e justo". "Deixem-me ser bem claro: a lei deve seguir seu curso", declarou.

Nesta quinta-feira, o governo britânico lançou uma campanha para que Andrew seja retirado da linha de sucessão ao trono. Atualmente, ele é o oitavo na ordem e mantém o direito de se tornar monarca, mesmo após perder seus títulos reais. A exclusão só seria possível por meio de uma lei aprovada no Parlamento.

O tema, contudo, ainda não conta com apoio dos conservadores, que preferem aguardar o julgamento, nem de parte dos trabalhistas, que consideram remotas as chances de Andrew se tornar rei.

Acusações de estupro

A prisão de Andrew ocorreu após anos de silêncio do rei Charles III e, anteriormente, da rainha Elizabeth II, sobre as acusações de que Andrew teria estuprado Virginia Giuffre quando ela tinha 17 anos. O ex-príncipe nega as acusações, mas aparece em diversas fotos constrangedoras ao lado da jovem.

Virginia morreu aos 41 anos, em 2025. Em seu livro de memórias, Nobody's Girl ("Garota de ninguém"), ela afirmou ter sido traficada por Epstein e sua companheira, Ghislaine Maxwell — condenada a 20 anos de prisão —, e estuprada por Andrew em três ocasiões.

A família real britânica não registrava a prisão de um membro do alto escalão havia quase 400 anos. O último caso foi o do rei Charles I, detido em 1647 durante a Guerra Civil Inglesa por forças ligadas ao Parlamento. Posteriormente, ele foi executado e a monarquia foi brevemente abolida por Oliver Cromwell.

Com agências internacionais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.