DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Estados Unidos planejam reabrir embaixada na Síria após 14 anos

Departamento de Estado notifica Congresso sobre intenção de retomar operações diplomáticas em Damasco, após mudanças no comando sírio

Publicado em 20/02/2026 às 20:56
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O governo Trump comunicou ao Congresso a intenção de avançar com o planejamento para uma possível reabertura da embaixada dos Estados Unidos em Damasco, Síria. A representação diplomática americana está fechada desde 2012, em meio à guerra civil no país.

Segundo documento obtido pela Associated Press, enviado a comissões do Congresso no início deste mês, o Departamento de Estado planeja adotar uma abordagem gradual para possivelmente retomar as operações diplomáticas na Síria.

A notificação, datada de 10 de fevereiro, informa que os recursos para os preparativos poderão ser liberados em até 15 dias, mas não há previsão para a conclusão dos trabalhos ou para o retorno integral do corpo diplomático a Damasco.

A reabertura da embaixada é considerada pelo governo desde o ano passado, logo após a deposição do ditador Bashar al-Assad em dezembro de 2024. O tema tornou-se prioridade para Tom Barrack, embaixador dos EUA na Turquia e enviado especial para a Síria.

Barrack defende uma reaproximação com a Síria sob a nova liderança do ex-rebelde Ahmad al-Sharaa, e atuou pela suspensão das sanções americanas e reintegração do país a fóruns internacionais.

O presidente Donald Trump elogiou o novo líder sírio nesta sexta-feira, 20. “Al-Sharaa está fazendo um trabalho fenomenal como presidente. Ele é um cara durão. Não é nenhum santo. Nem um santo conseguiria”, afirmou Trump. “Mas a Síria está se unindo.”

Em maio passado, Barrack esteve em Damasco e hasteou a bandeira dos EUA no complexo da embaixada, embora a reabertura oficial ainda não tenha ocorrido.

No mesmo dia em que o Congresso foi notificado, Barrack destacou a participação da Síria na coalizão internacional contra o Estado Islâmico, mesmo após a retirada das tropas americanas de uma base estratégica no sudeste do país e diante de desafios persistentes com a minoria curda.

“Soluções regionais, responsabilidade compartilhada. A participação da Síria na reunião da Coalizão contra o Estado Islâmico em Riad marca um novo capítulo na segurança coletiva”, declarou Barrack.

Os planos para a reabertura da embaixada permanecem confidenciais. O Departamento de Estado confirmou apenas o envio da notificação ao Congresso, sem fornecer detalhes adicionais.

O órgão adota estratégia semelhante à utilizada na reabertura da Embaixada dos EUA em Caracas, Venezuela, após a deposição de Nicolás Maduro em janeiro, enviando funcionários temporários para instalações provisórias.