Estados Unidos planejam reabrir embaixada na Síria após 14 anos
Após queda de Bashar al-Assad e aproximação com novo governo sírio, Washington avalia retorno diplomático a Damasco
O governo dos Estados Unidos informou ao Congresso que está avançando no planejamento para uma possível reabertura da embaixada americana em Damasco, na Síria, fechada desde 2012 devido à guerra civil no país.
Segundo comunicado enviado a comissões do Congresso no início deste mês, obtido pela agência de notícias Associated Press, os legisladores foram notificados sobre a "intenção do Departamento de Estado de implementar uma abordagem gradual para potencialmente retomar as operações da embaixada na Síria".
A notificação, datada de 10 de fevereiro, indicava que os primeiros gastos com o plano começariam em até 15 dias, embora ainda não haja um cronograma definido para a conclusão das ações ou para o retorno integral do corpo diplomático americano a Damasco.
A reabertura da embaixada vem sendo considerada pelo governo desde o ano passado, logo após a deposição do ditador Bashar al-Assad em dezembro de 2024. A iniciativa é uma das prioridades do embaixador dos EUA na Turquia e enviado especial para a Síria, Tom Barrack.
Barrack tem defendido uma reaproximação significativa com a Síria e com o novo governo liderado pelo ex-rebelde Ahmad al-Sharaa. Ele também atuou para a suspensão das sanções americanas e para a reintegração da Síria às comunidades regionais e internacionais.
Em declaração a repórteres nesta sexta-feira, 20, o presidente Donald Trump elogiou o desempenho de al-Sharaa na presidência síria. "Ele é um cara durão. Não é nenhum santo. Nem um santo conseguiria", afirmou Trump. "Mas a Síria está se unindo."
Em maio do ano passado, Barrack visitou Damasco e hasteou a bandeira dos EUA no complexo da embaixada, embora a representação diplomática ainda não estivesse oficialmente reaberta.
No mesmo dia em que a notificação foi enviada ao Congresso, Barrack elogiou a decisão da Síria de participar da coalizão internacional contra o Estado Islâmico, mesmo diante da retirada das tropas americanas de uma base no sudeste do país e da persistência de tensões com a minoria curda.
"Soluções regionais, responsabilidade compartilhada. A participação da Síria na reunião da Coalizão contra o Estado Islâmico em Riad marca um novo capítulo na segurança coletiva", destacou Barrack.
Os planos para a reabertura da embaixada são mantidos sob sigilo, e o Departamento de Estado limitou-se a confirmar que a notificação ao Congresso foi enviada, sem divulgar outros detalhes.
O Departamento de Estado também adotou uma abordagem "gradual" para a reabertura da embaixada dos EUA em Caracas, na Venezuela, após a deposição de Nicolás Maduro em janeiro, com o envio de funcionários temporários para instalações provisórias.
Com informações da Associated Press.