ECONOMIA INTERNACIONAL

Bessent defende investimentos em inteligência artificial por empresas nos EUA

Secretário do Tesouro dos EUA minimiza riscos no crédito privado e destaca impacto positivo dos gastos em IA no crescimento econômico

Publicado em 20/02/2026 às 19:31
Scott Bessent Reprodução

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, defendeu nesta sexta-feira (20) os investimentos de empresas americanas em inteligência artificial (IA) e minimizou preocupações com o setor de crédito privado, durante participação em evento do Clube Econômico de Dallas.

Bessent destacou que os aportes das companhias de tecnologia foram determinantes para o aumento dos gastos de capital (capex) nos Estados Unidos no ano passado, refletindo positivamente no crescimento econômico e no mercado de trabalho. "O boom de capex geralmente resulta em mais empregos, e grandes empresas, como a Microsoft, conseguem sustentar esses investimentos", avaliou. O secretário se mostrou otimista em relação à economia americana.

Ele afirmou ainda que a contribuição da IA para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA não está fora do padrão histórico, segundo dados analisados pelo Tesouro.

No que diz respeito ao crédito privado, Bessent reconheceu a importância do setor para a economia, mas afirmou que, apesar de descartar preocupações imediatas, o Tesouro segue monitorando possíveis riscos. "Somos responsáveis por criar regras que regulam o crédito privado e identificar riscos", explicou.

Questionado sobre possíveis regulações, Bessent foi cauteloso e ressaltou que não é possível eliminar totalmente os riscos, mas que é possível regular o acesso de investidores a determinados fundos e definir normas para empréstimos. "Por exemplo, pode não ser recomendável que uma private equity faça empréstimo para outra. São questões que precisam ser avaliadas", comentou.

O secretário também defendeu ajustes nas regras para o setor bancário, com o objetivo de estimular o crescimento e o bom desempenho dos pequenos bancos, o que, segundo ele, também favorece os grandes bancos.

Sobre a dívida pública dos EUA, Bessent sugeriu que a melhor estratégia para reduzi-la envolve combinar crescimento econômico com algum grau de austeridade fiscal, mas evitou entrar em detalhes.

Durante o evento, Bessent comentou ainda o programa Trump Accounts, que pretende criar uma espécie de poupança dinâmica para jovens americanos, incentivando investimentos no mercado acionário. "Quase 40% dos americanos não têm exposição ao mercado acionário dos EUA. O Trump Accounts permitirá que famílias acompanhem o mercado mais de perto", afirmou, classificando o programa como o mais importante desde a criação da seguridade social. "Pessoas que participam do sistema não querem derrubá-lo", concluiu.