DEFESA E TECNOLOGIA

Marinha firma acordo para organizar e fortalecer setor de drones militares no Brasil

Parceria com Taurus e BNDES visa reduzir dependência externa e impulsionar indústria nacional de defesa, com foco em drones armados e inovação tecnológica.

Por Sputinik Brasil Publicado em 20/02/2026 às 18:50
Marinha firma acordo com Taurus e BNDES para fortalecer setor nacional de drones militares. © Suboficial Roberto Sousa/Marinha do Brasil

Marinha, Taurus e BNDES unem esforços para impulsionar a indústria nacional de defesa, diminuir a dependência de importações e colocar o Brasil em posição de destaque no desenvolvimento de drones militares.

A Marinha do Brasil, por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), firmou um acordo estratégico com a Taurus Armas para o desenvolvimento de novos sistemas de armas leves, coletivas e, em especial, drones armados.

A iniciativa faz parte do movimento da Força Naval para ampliar sua atuação nesse campo. No início do ano, a Marinha criou um centro de instrução para operações com aeronaves não tripuladas e instituiu seu primeiro esquadrão de drones, o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, ambos sob responsabilidade dos fuzileiros navais.

O acordo, assinado no Rio de Janeiro no último dia 10, conta também com a participação institucional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e estabelece as bases de cooperação para alinhar os novos equipamentos militares às diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa.

O Corpo de Fuzileiros Navais terá papel central na definição dos requisitos técnicos. Por ser a única tropa composta integralmente por militares de carreira, caberá a eles "traduzir a realidade do combate em requisitos técnicos", conforme comunicado da Marinha.

Mais do que um acordo pontual, a parceria abre espaço para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira e para a incorporação de tendências tecnológicas, como a crescente “droneização” dos conflitos modernos.

O analista militar Pedro Paulo Rezende explica que, embora o foco inicial seja em drones e munições vagantes de pequeno porte, os impactos são positivos, pois a iniciativa reduz a dependência de fornecedores estrangeiros, diminui a importação de equipamentos e componentes sensíveis e supre lacunas operacionais das Forças Armadas.

“A Marinha pode empregar esses armamentos em patrulhas de menor escala, ampliando sua capacidade de dissuasão contra ameaças externas, já que são armamentos guiados”, ressalta.

"Em suma, é um avanço muito importante para a Marinha do Brasil. Basta observar o conflito na Ucrânia, onde tanto Rússia quanto Ucrânia fazem uso intensivo desses equipamentos."

Rezende destaca ainda que a participação do BNDES no acordo representa um passo relevante no financiamento estatal ao setor de defesa. Segundo ele, o banco manifesta interesse em ampliar sua atuação na indústria militar, especialmente na área de drones, embora ainda existam desafios estruturais para que esse apoio se traduza em resultados concretos.

"O problema é que ainda falta uma coordenação mais forte do Ministério da Defesa para que esse investimento seja realmente efetivo", avalia.

O analista observa que o setor de drones no Brasil é "extremamente pulverizado", com centenas de pequenas empresas disputando espaço no mercado interno e externo, mas com baixa integração industrial.

"Esse é um setor no qual ainda não entramos de forma organizada", afirma. Para ele, o desafio será estruturar essa base produtiva e direcioná-la para projetos com aplicação militar concreta, evitando dispersão de recursos e sobreposição de iniciativas.

Rezende cita o Albatroz Vortex, drone brasileiro de médio porte, como exemplo de que o país já possui iniciativas relevantes e capacidade tecnológica própria. Segundo ele, o projeto demonstra que há base industrial nacional para avançar além dos drones leves.

"O Albatroz Vortex possui turbina desenvolvida por uma empresa de São José dos Campos e foi projetado pela Estela Concepts. É um projeto muito interessante", afirma. O especialista destaca que o programa é significativo por envolver motor a jato nacional e representar um avanço importante rumo à consolidação de drones militares de maior porte no Brasil.