Alckmin comemora decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas e projeta mais competitividade para o Brasil
Vice-presidente avalia que retirada de sobretaxas amplia oportunidades para exportadores brasileiros e fortalece relação bilateral.
O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, celebrou a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou um conjunto de tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump nesta sexta-feira (20).
Segundo Alckmin, o fim do "tarifaço" de 50% sobre determinados produtos brasileiros permitirá ampliar significativamente a parceria comercial com os EUA.
"A decisão da Suprema Corte foi muito importante, e muito importante para o Brasil, porque os Estados Unidos é o terceiro maior comprador do nosso país, e é o principal comprador de manufaturados, de produtos de valor agregado mais alto", afirmou a jornalistas.
Entre os setores beneficiados pela retirada das tarifas, Alckmin destacou máquinas, motores, madeira, café solúvel e frutas, entre outros.
Apesar dos avanços nas negociações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, Alckmin lembrou que cerca de 22% das exportações brasileiras ainda enfrentam altas taxas.
"Isso abre uma oportunidade ótima para maior complementariedade econômica, ganha-ganha, investimentos recíprocos", celebrou. "A negociação continua, o diálogo continua e acho que abriu uma avenida ainda maior para termos um comércio exterior mais pujante, o que significa emprego e renda", completou.
O vice-presidente reforçou que a decisão do Judiciário americano deve ter impactos positivos no próximo encontro entre Trump e Lula, previsto para março: "Acho que esse diálogo deve até crescer, as negociações e o diálogo devem se fortalecer mais", avaliou.
Mais cedo, a Suprema Corte dos EUA considerou que o uso de poderes de emergência para justificar as tarifas globais impostas por Trump extrapolou os limites da legislação americana (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), que não autoriza a imposição unilateral de tarifas sem o respaldo do Congresso.
A medida atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, núcleo da estratégia tarifária do governo Trump, e pode reduzir uma parcela relevante das sobretaxas atualmente aplicadas às exportações brasileiras.
Até o momento, o "tarifaço" já gerou arrecadação de US$ 130 bilhões para o governo Trump, segundo autoridades americanas.
Em resposta à decisão, Trump anunciou em coletiva de imprensa que pretende assinar um decreto impondo uma tarifa global adicional de 10% sobre produtos importados, baseada na Seção 122 da legislação comercial dos EUA, somando-se às taxas já existentes.
O ex-presidente afirmou ainda que buscará alternativas para manter sua política tarifária, incluindo investigações sobre práticas comerciais desleais que possam justificar novas tarifas.