Trump anuncia tarifa global de 10% com validade inicial de cinco meses
Medida será implementada em três dias e busca reorganizar política comercial dos EUA após decisão da Suprema Corte
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (20) que a tarifa global de 10%, fundamentada na Seção 122, entrará em vigor em três dias e permanecerá válida por aproximadamente cinco meses. A medida ocorre enquanto o governo norte-americano reorganiza sua política comercial após a decisão da Suprema Corte sobre a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
De acordo com o Representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, as tarifas estabelecidas pela Seção 122 serão assinadas e implementadas ainda nesta sexta-feira. Trump ressaltou que não necessita de aprovação do Congresso para impor as tarifas. “Tenho e sempre tive o direito de impor tarifas”, afirmou.
O presidente também sinalizou a possibilidade de aumentar a pressão sobre setores específicos, mencionando a imposição de tarifas entre 15% e 30% sobre automóveis. Trump voltou a defender a tarifa de 20% sobre produtos chineses, justificando a medida como parte do combate ao fentanil.
Questionado sobre um eventual reembolso dos valores arrecadados com tarifas invalidadas pela Suprema Corte, Trump declarou que o tribunal “não discutiu esse assunto” e previu uma longa disputa judicial. “Acho que o reembolso terá que ser judicializado pelos próximos anos. Estaremos nos tribunais pelos próximos cinco anos”, disse.
Trump também utilizou a política industrial como argumento para sua estratégia tarifária, afirmando que “salvou a Intel” e elogiando fabricantes taiwaneses de semicondutores pela ampliação da produção nos Estados Unidos. O republicano destacou o papel dessas empresas no fortalecimento da indústria nacional.
O presidente relatou ainda ter se reunido com o líder do Vietnã, que, segundo Trump, reconheceu a possibilidade de novas tarifas americanas serem impostas ao país.
Jamieson Greer acrescentou que as investigações fundamentadas na Seção 301 são “extremamente duráveis do ponto de vista jurídico”, indicando que a Casa Branca deve sustentar parte de sua estratégia comercial em dispositivos considerados mais sólidos após o revés na Suprema Corte.