Lula defende regulação da inteligência artificial por instituição multilateral
Presidente sugere que ONU lidere o controle global da IA para garantir benefícios à sociedade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a regulação do uso da Inteligência Artificial (IA) deve ser conduzida por uma instituição multilateral com o porte das Nações Unidas, visando garantir que os benefícios da tecnologia alcancem toda a sociedade, e não apenas "um ou dois donos".
A declaração foi dada nesta sexta-feira (20), durante entrevista ao programa India Today, enquanto Lula cumpre agenda oficial na Índia.
Durante a conversa, o presidente também reiterou sua defesa pela realização de transações comerciais entre países, especialmente os integrantes do Brics, utilizando moedas locais em vez do dólar estadunidense.
O Brics atualmente reúne 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.
Regulação da IA
Em sua visita à Índia, Lula tem destacado a importância de uma regulação internacional para a Inteligência Artificial, a fim de assegurar o uso responsável da tecnologia:
“Precisamos de uma regulação rígida, realizada por uma instituição multilateral com o porte das Nações Unidas. Essa regulação deve proteger especialmente crianças, adolescentes e mulheres, pois não podemos permitir que a IA seja usada para causar danos e violência.”
Lula alertou para os riscos do uso inadequado da IA, que pode gerar danos à vida privada das pessoas e fomentar a violência. Segundo ele, grandes plataformas tecnológicas resistem à regulação, mas, sem controle, o avanço da IA pode ser prejudicial à humanidade.
“Há dois ou três proprietários de grandes plataformas que não desejam qualquer tipo de regulação, mas se não regularmos e perdermos o controle, acredito que isso não será bom para a humanidade”, afirmou.
“Pode até ser lucrativo para uma ou outra pessoa, mas, para a humanidade, não será positivo. Nós, governantes, precisamos ter clareza sobre a necessidade de proteger a sociedade diante dessa coisa extraordinária que é a inteligência artificial”, acrescentou.
Para o presidente, a IA é cada vez mais fundamental para a humanidade, desde que esteja a serviço da sociedade civil.
“Ela pode elevar os padrões de vida das pessoas até mesmo em áreas como saúde e educação. A IA deve servir ao crescimento dos países, à melhoria dos serviços públicos e privados e, acima de tudo, à melhoria das condições de trabalho de toda a humanidade. Quem precisa assumir o controle sobre a IA é a sociedade”, concluiu.
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