RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Kremlin classifica prorrogação de sanções dos EUA como automática e descarta surpresas

Porta-voz do governo russo afirma que Moscou já contava com a continuidade das restrições e reforça complexidade das negociações com Washington.

Publicado em 20/02/2026 às 09:01
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Kremlin considerou "bastante automática" a decisão dos Estados Unidos de prorrogar por mais um ano as sanções contra a Rússia, afirmando não ter alimentado grandes expectativas de mudança diante do atual cenário de negociações entre os dois países.

O presidente norte-americano, Donald Trump, estendeu as medidas restritivas adotadas devido ao conflito na Ucrânia. Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de um desfecho diferente, considerando as conversas em andamento com Washington, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o governo russo já trabalhava com a continuidade das sanções.

“A decisão é bastante automática, trata-se de uma prorrogação. E quanto ao que acontecerá depois, como resultado do processo de negociações, veremos já a partir dos resultados dessas conversas que forem concluídas”, disse Peskov, segundo informações divulgadas pelo pool de imprensa do Kremlin, organizado pela agência RIA Novosti.

Peskov ressaltou ainda que o diálogo com os EUA é complexo e deve se estender por mais tempo. “O processo de negociações, como dissemos repetidamente, é complexo. E é prolongado. Portanto, naturalmente, não tínhamos expectativas elevadas a esse respeito”, afirmou.

No início desta semana, representantes de Rússia, Ucrânia e EUA se reuniram em Genebra para discutir a resolução do conflito. Paralelamente, o grupo de trabalho Rússia-EUA para questões econômicas mantém contatos bilaterais. Para o Kremlin, possíveis mudanças no regime de sanções dependerão do avanço concreto dessas tratativas.

Em meio à pressão ocidental, Peskov também destacou a continuidade da aproximação com a China. Segundo ele, há entendimento de que o presidente russo, Vladimir Putin, deverá visitar o país asiático ainda neste ano, e os dois lados manterão a "troca regular de visitas em alto nível", reforçando a parceria estratégica entre Moscou e Pequim.