MERCADO FINANCEIRO

Dólar recua com alívio em Treasuries e valorização de moedas emergentes

Moeda americana é negociada perto de R$ 5,35, influenciada por fatores externos e cenário político nacional.

Publicado em 21/01/2026 às 10:07
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O dólar opera em queda no mercado à vista na manhã desta quarta-feira (21), cotado próximo de R$ 5,35 por volta das 9h50. Segundo Marcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX, a redução dos rendimentos dos Treasuries e a estabilização dos títulos japoneses (JGB) contribuem para reverter, ao menos temporariamente, a pressão negativa observada na véspera sobre as moedas emergentes, que se valorizam nesta manhã.

Riauba ressalta, no entanto, que o mercado segue sensível às incertezas geopolíticas externas e ao ambiente eleitoral brasileiro.

No cenário internacional, há a percepção de que as tensões diplomáticas envolvendo a Groenlândia podem diminuir, embora a União Europeia tenha endurecido o discurso contra possíveis medidas protecionistas na próxima cúpula do G7, marcada para esta quinta-feira, da qual Donald Trump afirmou que não participará.

Outro ponto de atenção é o discurso de Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos. O ex-presidente americano chegou à Suíça após um atraso causado por problemas elétricos no Air Force One. Os investidores também monitoram dados do setor imobiliário dos EUA e o início do julgamento da diretora do Fed, Lisa Cook, na Suprema Corte, em meio à pressão da Casa Branca sobre o banco central.

No contexto eleitoral brasileiro, pesquisa AtlasIntel aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as intenções de voto para 2026 em todos os cenários avaliados, com cerca de 48% a 49% no primeiro turno. Lula venceria no segundo turno nomes como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, embora sua vantagem sobre Flávio tenha diminuído. O ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, é o mais rejeitado, seguido por Lula.

Na agenda econômica, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) acelerou para 0,44% na segunda prévia de janeiro, após alta de 0,14% no mesmo período de dezembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Mais cedo, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, que estava sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet) desde novembro, devido à extensão da liquidação do Banco Master, seu controlador.

O BRB negocia a venda de uma carteira de quase R$ 1 bilhão em empréstimos a Estados e municípios, garantidos pela União, para Itaú e Bradesco, após possíveis prejuízos com ativos do Banco Master.

No Fórum Econômico Mundial, em Davos, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos do Brasil, Esther Dweck, confirmou que o governo avalia transferir a fiscalização dos fundos de investimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o Banco Central.