DIREITOS TRABALHISTAS

Boulos afirma que fim da escala 6x1 avança no Congresso e pode ser votado neste semestre

Ministro da Secretaria-Geral destaca que proposta de redução da jornada enfrenta resistência empresarial, mas segue como prioridade do governo Lula

Publicado em 21/01/2026 às 09:41
Guilherme Boulos, relator da proposta Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (21) que o projeto para reduzir a jornada de trabalho no modelo 6x1 está “avançando muito bem” junto a setores do Congresso Nacional. Segundo Boulos, há possibilidade de o tema ser votado ainda neste semestre.

Considerado prioridade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o fim da escala 6x1 tramita em duas frentes no Congresso. Atualmente, existem quatro Propostas de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema. A mais antiga, de 2015, já teve parecer aprovado no fim do ano passado, estabelecendo um período de transição gradual até a jornada máxima de 36 horas semanais. Na Câmara, uma PEC de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) aguarda análise da Comissão de Trabalho.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Boulos reconheceu que a proposta enfrenta forte oposição de grandes empresários, mas ressaltou que o governo não irá recuar. Segundo o ministro, o tema é “inegociável” para o presidente Lula.

“Os empresários resistem como sempre resistiram a qualquer direito de trabalhador. Os latifundiários do século 19 resistiram à Lei Áurea. Se dependesse deles, era escravidão até hoje. Quando Getúlio Vargas criou o salário mínimo, diziam que seria um caos e que as empresas iriam embora do Brasil. Quando criou a CLT, com 13º, férias remuneradas, jornada de oito horas, também diziam que geraria desemprego e seria um tiro no pé do trabalhador”, afirmou Boulos.

No entanto, o ministro admitiu que, diante da atual correlação de forças no Congresso e da pressão do setor empresarial, a expectativa do governo é reduzir a escala para cinco dias trabalhados e dois de descanso, deixando de lado a proposta inicial de quatro dias de jornada prevista na PEC de Erika Hilton.

“O poder de lobby, o poder de fogo dos grandes empresários e de quem ganha com a exploração do trabalhador é gigantesco nesse país. É muita grana, é muita gente herdeira que defende escala 6x1 para os outros, mas está lá no jantar com caviar e champanhe. É muita gente dizendo que o povo tem que trabalhar, mas nunca trabalhou na vida”, criticou Boulos.

Boulos também defendeu um modelo de transição e adaptação para a redução da jornada, de modo a não prejudicar pequenos empresários. Na entrevista, o ministro criticou a taxa de juros e fez um apelo ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para a redução da Selic, apontando que esse é o principal obstáculo para pequenos e médios produtores.

“Parte do problema que vai aliviar os pequenos, os médios e até os grandes empresários do Brasil é a redução da taxa de juros escorchante, injustificável, de agiotagem que a gente tem no Brasil. Não tem o que justifique juro de Selic a 15% ao ano, pode vir qualquer economista liberal aqui com o seu papinho”, afirmou Boulos.