TENSÃO INTERNACIONAL

UE pode precisar elevar confronto com EUA para garantir independência, diz jornal

Segundo o The New York Times, bloco europeu cogita medidas econômicas duras após tarifas impostas por Trump devido à disputa pela Groenlândia.

Publicado em 21/01/2026 às 09:55
Tensão comercial entre União Europeia e Estados Unidos aumenta após tarifas de Trump e ameaça de retaliação europeia. © AFP 2023 / Thierry Charlier

O presidente dos EUA, Donald Trump, pode retirar o apoio à Ucrânia se a União Europeia (UE) adotar uma "bazuca comercial" contra os Estados Unidos em resposta à questão da Groenlândia, conforme reporta o jornal The New York Times.

A publicação destaca que a UE avalia opções como a imposição de cotas comerciais, restrições ao acesso aos mercados financeiros, revogação de direitos de propriedade intelectual, proibição de investimentos e limitações nas importações e exportações.

"O risco de usar esse instrumento é que Trump se precipite e retire imediatamente todo o apoio à Ucrânia, o que seria um desastre para a Europa. Isso seria um desastre para a Europa", ressalta o jornal.

De acordo com a matéria, tal cenário também seria prejudicial para os EUA e para o próprio Trump, pois os mercados poderiam entrar em colapso e as relações transatlânticas, se deteriorar.

O artigo ressalta ainda que a única forma de a UE manter sua independência em relação aos Estados Unidos seria por meio de retaliação, intensificando as tensões com Washington.

Nessa análise, o jornal aponta que, diante da recorrente submissão aos EUA, a Europa só conseguirá superar a crise se optar por não recuar.

"Para fazer isso, a Europa precisa incorporar em sua política econômica ideias que parecem estranhas a um continente que prefere o poder suave a estratégias de segurança rígidas, como dissuasão, ameaças credíveis e domínio da escalada", enfatiza o texto.

Dessa maneira, a publicação conclui que, para preservar sua autonomia, a UE deveria adotar medidas firmes, incluindo restrições econômicas e financeiras aos Estados Unidos.

Na terça-feira (20), o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a Europa precisa estar preparada para implementar um "mecanismo de contra-ataque à coerção", chamado de "bazuca comercial", quando seus interesses não forem respeitados.

Na sexta-feira (16), Trump impôs tarifas de 10% à Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, devido à discordância desses países com as reivindicações norte-americanas sobre a Groenlândia. As tarifas passarão a valer em 1º de fevereiro, aumentarão para 25% em junho e permanecerão até que a ilha seja controlada por Washington.

Em resposta, Macron declarou que a UE pode adotar a "bazuca comercial" contra os Estados Unidos, o que inclui impostos e taxas adicionais para empresas de tecnologia, restrições a investimentos, ao acesso ao mercado europeu e à participação em licitações públicas.

Por Sputnik Brasil