JUSTIÇA INTERNACIONAL

Tribunal italiano adia novamente julgamento sobre extradição de Zambelli

Corte de Apelação de Roma aguarda análise detalhada sobre condições da penitenciária brasileira antes de decidir sobre extradição da ex-deputada.

Por Sputinik Brasil Publicado em 20/01/2026 às 19:45
Tribunal italiano adia decisão sobre extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. © Foto / Reprodução / Redes Sociais

O Tribunal de Apelação de Roma, na Itália, adiou novamente nesta terça-feira (20) o julgamento sobre o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil.

Segundo a corte italiana, o novo adiamento ocorreu devido ao tempo insuficiente para a análise das informações enviadas pelo governo brasileiro sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli deverá cumprir pena caso seja extraditada.

O novo julgamento está agendado para a primeira quinzena de fevereiro.

Na semana passada, a decisão já havia sido postergada após pedido da defesa de Zambelli, que solicitou mais tempo para analisar documentos enviados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, informou à Justiça italiana que a penitenciária oferece padrões adequados de salubridade, segurança, assistência às detentas, atendimento médico e cursos técnicos.

A ex-deputada está presa na Itália desde julho de 2025, após ser condenada pelo STF em dois processos: um por contratar um hacker para invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e outro pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, quando perseguiu um homem armado pelas ruas de São Paulo, em outubro de 2022.

Zambelli deixou o Brasil dias antes do trânsito em julgado da primeira condenação e da determinação para cumprimento da pena, de dez anos de prisão. Ela foi localizada pelas autoridades após ser incluída como foragida na lista da Interpol.

A defesa alega que Zambelli sofre perseguição judicial e política no Brasil, além de questionar as condições do sistema prisional brasileiro para o eventual cumprimento da pena.

O Ministério Público italiano emitiu parecer favorável à extradição, entendendo que o pedido brasileiro cumpre todos os requisitos legais, incluindo a confirmação de que a ex-deputada não é vítima de perseguição política.

Zambelli perdeu o mandato parlamentar por determinação do STF, mesmo após o plenário da Câmara aprovar sua permanência no cargo, já que parlamentares condenados em regime fechado por tempo prolongado devem perder automaticamente o mandato.

Na segunda condenação, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, Zambelli foi sentenciada a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa equivalente a 400 salários-mínimos vigentes à época dos fatos (2022), com atualização monetária.