Tribunal italiano adia novamente julgamento sobre extradição de Zambelli
Corte de Apelação de Roma aguarda análise detalhada sobre condições da penitenciária brasileira antes de decidir sobre extradição da ex-deputada.
O Tribunal de Apelação de Roma, na Itália, adiou novamente nesta terça-feira (20) o julgamento sobre o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil.
Segundo a corte italiana, o novo adiamento ocorreu devido ao tempo insuficiente para a análise das informações enviadas pelo governo brasileiro sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli deverá cumprir pena caso seja extraditada.
O novo julgamento está agendado para a primeira quinzena de fevereiro.
Na semana passada, a decisão já havia sido postergada após pedido da defesa de Zambelli, que solicitou mais tempo para analisar documentos enviados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, informou à Justiça italiana que a penitenciária oferece padrões adequados de salubridade, segurança, assistência às detentas, atendimento médico e cursos técnicos.
A ex-deputada está presa na Itália desde julho de 2025, após ser condenada pelo STF em dois processos: um por contratar um hacker para invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e outro pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, quando perseguiu um homem armado pelas ruas de São Paulo, em outubro de 2022.
Zambelli deixou o Brasil dias antes do trânsito em julgado da primeira condenação e da determinação para cumprimento da pena, de dez anos de prisão. Ela foi localizada pelas autoridades após ser incluída como foragida na lista da Interpol.
A defesa alega que Zambelli sofre perseguição judicial e política no Brasil, além de questionar as condições do sistema prisional brasileiro para o eventual cumprimento da pena.
O Ministério Público italiano emitiu parecer favorável à extradição, entendendo que o pedido brasileiro cumpre todos os requisitos legais, incluindo a confirmação de que a ex-deputada não é vítima de perseguição política.
Zambelli perdeu o mandato parlamentar por determinação do STF, mesmo após o plenário da Câmara aprovar sua permanência no cargo, já que parlamentares condenados em regime fechado por tempo prolongado devem perder automaticamente o mandato.
Na segunda condenação, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, Zambelli foi sentenciada a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa equivalente a 400 salários-mínimos vigentes à época dos fatos (2022), com atualização monetária.