SEGURANÇA DIGITAL

Nova regra amplia proteção contra fraudes no Pix a partir de fevereiro

Banco Central exige atualização no Mecanismo Especial de Devolução, que rastreia transações por até cinco contas para facilitar recuperação de valores em casos de golpe.

Publicado em 20/01/2026 às 18:19
Nova regra amplia proteção contra fraudes no Pix a partir de fevereiro Reprodução / Agência Brasil

A partir de 2 de fevereiro, entra em vigor uma nova funcionalidade do Pix que promete reforçar a segurança dos usuários. Todas as instituições financeiras que operam com o sistema de pagamento instantâneo deverão adotar a atualização no Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central (BC) para facilitar a devolução de recursos em casos de fraudes, golpes ou coerção.

Segundo Cleórbete Santos, doutor em Computação e professor do Mackenzie Alphaville, até então a devolução era possível apenas se o dinheiro permanecesse na conta usada no golpe. "Se o golpista transferisse rapidamente para outras contas, o sistema não conseguia mais recuperar o valor", explica.

Com a nova versão, o MED passa a identificar contas para as quais os recursos foram enviados posteriormente, compartilhando essas informações entre as instituições envolvidas e permitindo a devolução em até 11 dias após a contestação.

"O rastreamento ficou mais sofisticado. Agora, o sistema pode seguir o caminho do dinheiro por várias camadas de transações", detalha Santos. "Por exemplo: se o golpista envia R$ 1 mil para a conta A e esta repassa R$ 500 para a conta B, o sistema pode bloquear valores em ambas as contas."

O professor destaca que a tecnologia central da atualização é o grafo de rastreamento, que mapeia automaticamente o percurso do dinheiro até cinco contas sucessivas. Antes, esse rastreamento era feito manualmente e limitava-se à primeira conta envolvida.

A funcionalidade está disponível de forma facultativa desde novembro de 2023, mas sua implementação será obrigatória a partir de fevereiro.

Desde outubro do ano passado, o Pix já exige que todos os participantes ofereçam em seus aplicativos uma opção para contestação de transações sem necessidade de contato humano.

Santos alerta, porém, que acionar o MED não garante a devolução dos valores: "É preciso haver saldo disponível nas contas por onde o dinheiro passou. Por isso, agir rapidamente ao registrar a denúncia continua sendo fundamental para aumentar as chances de recuperação."

Como se proteger de golpes e fraudes?

O professor Cleórbete Santos orienta que os golpistas costumam explorar a urgência e o apelo emocional para convencer as vítimas a transferirem dinheiro. "Ao receber mensagens de parentes ou amigos solicitando transferências urgentes, sempre faça uma ligação por vídeo para confirmar a identidade", recomenda.

Além disso, desconfie de comportamentos atípicos. Bancos não solicitam dados pessoais, transferências de teste ou códigos de validação por telefone, aplicativos de mensagem ou SMS. Caso isso ocorra, desligue e comunique imediatamente ao seu banco.

As novas regras reforçam a proteção, mas a atenção diária segue essencial para evitar prejuízos. Entre as medidas preventivas recomendadas estão:

- Ajustar o limite de transferências nos aplicativos bancários, diferenciando períodos diurno e noturno;

- Habilitar autenticação em dois ou mais fatores em todos os aplicativos, inclusive de mensagens;

- Registrar chaves Pix como CPF e número de celular em alguma instituição, mesmo sem uso frequente, para evitar que sejam utilizadas por golpistas;

- Realizar dupla checagem do valor e do destinatário antes de efetuar transferências, especialmente pela internet;

- Informar-se sobre os golpes mais frequentes e compartilhar essas informações com amigos e familiares.