S&P Global rebaixa rating da CSN para B+ e mantém perspectiva negativa
Agência alerta para riscos de novo rebaixamento caso plano de desinvestimentos da CSN não avance e liquidez siga pressionada.
A S&P Global rebaixou o rating da CSN de BB- para B+, mantendo a perspectiva negativa. Segundo a agência, existe uma chance de um em três de novo rebaixamento nos próximos 12 meses, caso a ausência de vendas de ativos e o desempenho operacional abaixo do esperado mantenham a alavancagem acima de 5,0 vezes. O cenário é agravado pela elevação da dívida de curto prazo e pelos substanciais fluxos de caixa negativos, pressionados por despesas de capital (capex) e juros, afetando a liquidez da companhia.
A CSN anunciou, em 14 de janeiro, um plano para reduzir sua alavancagem por meio de desinvestimentos. No entanto, a S&P avalia que as incertezas em torno da execução, do cronograma e do impacto dessas medidas sobre o fluxo de caixa superam, no momento, o potencial positivo do plano.
Com base nas projeções da empresa sobre valores e prazos para as vendas, a agência estima que a CSN poderia reduzir sua dívida em cerca de um terço até 2027. Além disso, o encargo de juros poderia cair cerca de R$ 2,5 bilhões até o próximo ano, considerando a estimativa da S&P de aproximadamente R$ 5,7 bilhões em 2025.
Entretanto, a venda da divisão de cimento também reduziria o Ebitda de maneira proporcional, limitando as melhorias nos indicadores financeiros. "Acreditamos que a complexidade dessas transações, incluindo a necessidade de aprovação de órgãos reguladores, traz altas incertezas quanto ao cronograma e execução", ressalta a agência.
A S&P destaca ainda que, diante do atual nível de endividamento e dos grandes fluxos de caixa negativos, as iniciativas da CSN podem não ser suficientes para reduzir a alavancagem ao patamar de classificação BB-, com dívida ajustada para Ebitda entre 4,0 e 4,5 vezes em 2026-2027, mesmo se a venda ocorrer em 2026.