Bolsas europeias fecham em baixa pressionadas por tensões com EUA e disputa pela Groenlândia
Aversão ao risco cresce diante de ameaças tarifárias dos EUA e incertezas diplomáticas em Davos; setor de luxo e defesa recuam
As principais bolsas da Europa encerraram esta terça-feira, 20, em queda, refletindo o aumento da cautela diante do agravamento das tensões geopolíticas e comerciais entre Estados Unidos e Europa. O noticiário envolvendo a Groenlândia voltou a influenciar negativamente o apetite por risco, enquanto investidores acompanharam atentamente os desdobramentos diplomáticos no Fórum Econômico Mundial de Davos, o que reforçou posturas defensivas ao longo do dia.
Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,67%, fechando aos 10.126,78 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,08%, a 24.689,67 pontos. O CAC 40, em Paris, perdeu 0,61%, a 8.062,58 pontos. Em Milão, o FTSE MIB registrou queda de 1,07%, a 44.713,46 pontos. O Ibex 35, de Madri, recuou 1,50%, a 17.400,60 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, caiu 1,14%, a 8.463,77 pontos. Os números são preliminares.
Investidores reagiram às ameaças reiteradas do presidente dos EUA de impor tarifas a países europeus em meio à disputa pela Groenlândia. Segundo a Challenger, o mercado ainda aposta em uma solução negociada e em um possível recuo de Washington, o que tem limitado movimentos mais abruptos. Já o Lombard Odier aponta que as ameaças tarifárias ligadas à ilha dinamarquesa podem aumentar o prêmio de risco geopolítico nos mercados europeus, a depender da escalada da disputa comercial entre EUA e União Europeia. Apesar disso, a instituição ressalta que seu cenário-base não prevê a implementação dessas tarifas, avaliando que o bloco europeu, nesta terça-feira, dispõe de mais instrumentos e incentivos políticos para reagir.
No segmento corporativo, mesmo diante das tensões, as ações do setor de defesa recuaram, com investidores interpretando sinais de possível distensão: a alemã Rheinmetall caiu cerca de 0,6% e a italiana Leonardo recuou mais de 0,7%.
Em Paris, papéis do setor de luxo pressionaram o índice após novas ameaças de tarifas dos EUA sobre vinhos e champanhes franceses. A LVMH registrou queda de aproximadamente 2,2%. Em Londres, a GSK cedeu cerca de 1,6% após anunciar a aquisição da americana RAPT Therapeutics. Na contramão, a ASML ajudou a limitar perdas em Amsterdã (+1,7%), após divulgar resultados trimestrais acima do esperado, impulsionados pela demanda na China, o que contribuiu para conter um recuo maior do índice local.
Com informações da Dow Jones Newswires