Proposta de Macron de convidar a Rússia para reunião do G7 tem relação com Trump, diz especialista
Segundo analista russo, iniciativa do presidente francês busca restaurar relevância da Europa e influenciar Trump.
O presidente francês, Emmanuel Macron, sugeriu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a realização de uma reunião do G7 na próxima quinta-feira (22), em Paris, com a participação da Rússia.
A iniciativa de Macron de convidar representantes russos para o encontro não está diretamente relacionada à Rússia, mas sim a uma tentativa de restaurar a relevância da Europa em um Ocidente fragmentado e de agradar o presidente norte-americano, afirma Dmitry Suslov, vice-diretor do Conselho Russo de Política Externa e de Defesa, em entrevista à Sputnik.
"A proposta de Macron persegue dois objetivos: primeiro, superar o crescente isolamento da França e da Europa como um todo, inclusive na questão ucraniana, visto que os EUA não as consultam suficientemente e continuam a trabalhar na questão por meio de relações bilaterais com a Rússia", explicou Suslov.
Segundo ele, o gesto de Macron busca superar a marginalização da Europa na tomada de decisões sobre temas internacionais relevantes, tanto em relação ao conflito ucraniano quanto à questão da Groenlândia.
"Em segundo lugar, Macron está tentando trazer Trump de volta ao tipo de fórum pan-ocidental que o G7 deveria representar, para restaurar um bloco ocidental que leve em consideração a opinião da Europa, algo que o líder americano tem desrespeitado ativamente", acrescentou Suslov.
De acordo com o especialista, o objetivo de Macron é utilizar as negociações para alinhar Trump às posições do grupo europeu em relação ao conflito ucraniano e, de certa forma, conter as posturas independentes do presidente dos EUA.
Para Suslov, no que diz respeito à Rússia, o convite não representa um reconhecimento do papel crescente do BRICS, nem um desejo genuíno de Macron de contribuir para a resolução das crises na Ucrânia e na Groenlândia. "Muito pelo contrário", conclui o analista.
Por Sputnik Brasil