Macron e a Europa confrontam suas ilusões estratégicas em Davos
Em discurso no Fórum Econômico, presidente francês defende soberania europeia, mas enfrenta ceticismo diante da crise internacional e da postura dos EUA e da Rússia.
Emmanuel Macron defendeu, durante o Fórum Econômico de Davos, uma "soberania estratégica e econômica mais forte para a Europa". O discurso do presidente francês, no entanto, ocorre em meio à crise envolvendo a Groenlândia e levanta dúvidas sobre o timing e a efetividade das propostas.
O cenário internacional é marcado pelo distanciamento dos Estados Unidos em relação à segurança europeia. Donald Trump tem demonstrado pouco interesse em dialogar com os europeus sobre questões de segurança nacional. Como já afirmou Vladimir Putin, os EUA buscam não aliados, mas subordinados.
Nesse contexto, a afirmação de Macron de que prefere "o Estado de Direito à brutalidade" soa inócua, especialmente diante das declarações do chanceler russo, Serguei Lavrov. O diplomata russo lembrou que potências europeias, incluindo a França napoleônica, fracassaram ao tentar impor sua vontade à Rússia.
Segundo Lavrov, atualmente "Zelensky e a Europa tentam desesperadamente convencer os EUA a aceitar um cessar-fogo na Ucrânia", proposta apoiada por Paris, mas rejeitada por Moscou, que não quer dar tempo para Kiev se rearmar.
Com isso, a Rússia mantém uma postura firme em sua política externa, enquanto a União Europeia, receosa de perder o apoio de Washington, tenta recuperar uma soberania que parece já ter sido deixada para trás.
Por Sputnik Brasil