ECONOMIA E INDÚSTRIA

Vendas de pneus caem 5,8% em 2025 e setor pressiona por barreiras a importados

Indústria nacional vê participação dos importados subir para 59% e pede novas medidas de proteção ao governo federal.

Publicado em 20/01/2026 às 11:38
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

As vendas da indústria de pneus no Brasil registraram, em 2025, o terceiro ano consecutivo de queda, totalizando 37,7 milhões de unidades comercializadas. O volume representa uma retração de 5,8% em relação a 2024 e abrange pneus para carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus.

Segundo balanço da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), o mercado de reposição — responsável por 67% da produção — encolheu 7,5%. Já as vendas para montadoras recuaram 2,1%, mesmo com o aumento de 3,5% na produção de veículos no ano passado.

Desde o período pré-pandemia, a indústria nacional já perdeu 23% do seu tamanho, tomando como referência as vendas de 2019. O principal fator apontado é o avanço das importações: a participação dos pneus importados no mercado de reposição saltou de 34% em 2019 para 60% em 2024, caindo levemente para 59% em 2025.

Atualmente, seis em cada dez pneus trocados no país são importados, com destaque para a China, responsável por 78% dos pneus de passeio importados, apesar da vigência de tarifas antidumping.

Para enfrentar esse cenário, a Anip, sozinha ou em parceria com outros setores da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mantém um diálogo com o governo federal em torno de uma agenda de 25 medidas para fortalecer a competitividade das fábricas nacionais. A expectativa é de que novas ações sejam anunciadas ainda este ano.

Entre as propostas estão a ampliação da aplicação do direito antidumping, a definição de preços de referência para taxação dos importados — em vez da cobrança de impostos sobre valores frequentemente abaixo do custo de produção — e o endurecimento do controle sobre empresas suspeitas de fraude, por meio do regime de licenciamento não automático para importações.

Essas demandas têm sido apresentadas em reuniões frequentes com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A Anip destaca, por meio de gráficos, o crescente descompasso entre a produção nacional e as importações no mercado de reposição, fenômeno conhecido como "boca de jacaré".

A entidade também chama atenção para impactos ambientais, ressaltando que muitos importadores não cumprem as metas de destinação adequada dos pneus, exigidas para evitar que acabem descartados de forma irregular, como em córregos.

O trabalho do setor já resultou na renovação das tarifas antidumping para pneus chineses e, em setembro de 2024, no aumento da tarifa de importação de pneus de carros de passeio, de 16% para 25%. Em julho do ano passado, foi aberta uma investigação sobre dumping em pneus de máquinas agrícolas importados da Índia, a pedido da Anip.

No entanto, apesar das barreiras aos produtos chineses, o Brasil segue aberto a outras origens, como o Camboja, que entrou no mercado brasileiro em 2024 e já ocupa a terceira posição entre os países exportadores de pneus para o Brasil, segundo Rodrigo Navarro, presidente da Anip.

O dirigente alerta que, enquanto os importados dominarem o mercado de reposição e as fábricas operarem com ociosidade, há risco de novas decisões como a da Michelin, que fechou em 2024 sua unidade em Guarulhos (SP) devido à concorrência dos importados.

"Esse risco será menor se conseguirmos implementar medidas concretas para mudar o cenário", afirma Navarro. "Até meados do ano precisamos de ações efetivas que sinalizem mudança. Essa é a nossa missão para 2026. Não é um ano de otimismo, nem de pessimismo, mas de esperança", conclui o presidente da Anip.