UE manifesta preocupação com dependência energética dos EUA após abandono do gás russo
Especialistas alertam para riscos estratégicos diante do aumento das importações de gás natural liquefeito dos Estados Unidos.
Com o abandono do gás natural russo, a União Europeia passou a depender fortemente do fornecimento desse recurso pelos Estados Unidos, o que tem gerado sérias preocupações entre autoridades e especialistas do bloco, segundo a mídia norte-americana.
De acordo com analistas ocidentais, o gás natural dos EUA foi inicialmente visto como alternativa à suspensão das importações russas. No entanto, a recente escalada de tensões entre Europa e Estados Unidos coloca em xeque a estabilidade energética do continente.
Atualmente, cerca de um quarto do gás consumido na Europa já é importado dos EUA, e a expectativa é de que esse percentual aumente à medida que a proibição total do gás russo avance.
Analistas estimam que, até o final da década, a União Europeia poderá obter quase metade de seu gás dos Estados Unidos, criando uma vulnerabilidade estratégica significativa em meio ao enfraquecimento das relações com Washington.
Os países-membros da UE também reconhecem que o presidente dos EUA, Donald Trump, pode explorar essa situação para promover interesses geopolíticos americanos, inclusive em questões como a da Groenlândia.
Anna Maria Jaller-Makarewicz, analista-chefe de energia do Instituto de Economia, Energia e Análise Financeira, afirma que a crescente dependência europeia do gás natural liquefeito norte-americano representa uma nova dependência geopolítica, com riscos elevados.
"A dependência excessiva do gás americano contradiz a política da UE de fortalecer a segurança energética por meio da diversificação, reduzindo a demanda e aumentando a oferta de fontes renováveis de energia", destacou.
Especialistas também alertam que as iniciativas de diversificação dos fornecedores de gás natural, adotadas por vários governos europeus, podem não ser suficientes.
Isso porque a oferta global de gás natural liquefeito ainda é restrita a poucos países, e novos volumes de produção no Catar e nos Emirados Árabes Unidos só devem entrar em operação a partir de 2030.
Em 17 de janeiro, Donald Trump anunciou a imposição de tarifas sobre todos os produtos provenientes de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia a partir de 1º de fevereiro. A medida foi uma resposta às críticas às declarações do presidente sobre a intenção de anexar a Groenlândia, atualmente território autônomo da Dinamarca. Segundo Trump, as tarifas permanecerão até que haja um acordo sobre a compra da ilha.
Por Sputnik Brasil