Técnicos de enfermagem são presos por suspeita de matar pacientes em hospital do DF
Três profissionais são investigados pela morte de pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga; substâncias letais e até desinfetante teriam sido aplicados nas vítimas.
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de ao menos três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga, supostamente causadas por ex-técnicos de enfermagem da unidade. As suspeitas recaem sobre a aplicação de substâncias letais e, em um dos casos, até a injeção de desinfetante em um paciente.
Segundo nota divulgada pelo Hospital Anchieta, os três auxiliares foram desligados após um comitê interno identificar "circunstâncias atípicas" nas mortes ocorridas na UTI. O hospital também acionou imediatamente a Polícia Civil.
Os investigados, todos com menos de 30 anos e iniciantes na área da Saúde, são um homem de 24 anos e duas mulheres, de 28 e 22 anos. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pelas autoridades, e, por isso, as defesas não foram localizadas.
Entre as mulheres, uma já possuía experiência em outros hospitais, enquanto a mais jovem estava em seu primeiro emprego na área. O homem, por sua vez, continuou atuando em uma UTI infantil mesmo após ser desligado do Hospital Anchieta devido à suspeita de envolvimento nos crimes.
Os óbitos aconteceram em dezembro de 2025, mas o caso só veio a público nesta segunda-feira, 19. De acordo com as investigações, um dos técnicos teria se aproveitado de um sistema aberto, logado em nome de médicos, para prescrever medicamentos indevidos em pelo menos duas ocasiões, buscar os remédios na farmácia, prepará-los, esconder a seringa no jaleco e aplicá-los nos pacientes.
O delegado Wisllei Salomão, responsável pelo caso, afirmou que as duas mulheres foram coniventes com as ações, incluindo a aplicação de desinfetante em uma das vítimas.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) se manifestou sobre o caso, ressaltando a gravidade das informações. "O Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis dentro de sua competência legal", informou em comunicado.
Dois dos investigados, o homem e a mulher de 28 anos, foram presos no último dia 11 durante a Operação Anúbis. A mais jovem foi detida na quinta-feira, 15, quando a polícia apreendeu celulares, computadores e outros materiais que podem contribuir para as investigações.
As vítimas foram uma aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos.