Cerca de 1,5 mil membros do Estado Islâmico escapam de prisão no leste da Síria
Fuga em Shaddadi ocorre em meio a combates entre forças curdas e tropas do governo sírio; acordo tenta conter violência
Cerca de 1,5 mil integrantes do grupo terrorista Estado Islâmico escaparam de uma prisão em Shaddadi, no leste da Síria, nesta segunda-feira, 19, conforme informou a agência Rudaw, especializada na cobertura de temas curdos.
A fuga foi confirmada por um porta-voz das Forças Democráticas Sírias (FDS), aliança militar liderada por curdos e principal parceira dos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico no país. O episódio ocorre após a ascensão de Ahmed Al-Sharaa ao poder na Síria, em janeiro de 2025.
O Exército sírio reconheceu a evasão de "um número indeterminado de detentos" e responsabilizou as FDS por supostamente permitirem a saída dos extremistas.
Por outro lado, as FDS relataram que "grupos armados" ligados ao governo lançaram um ataque nas proximidades da prisão de al-Shaddadi, que abriga milhares de membros do Estado Islâmico. Segundo a aliança curda, "intensos confrontos com nossas forças encarregadas da segurança" estão em andamento, agravando uma "situação de segurança extremamente perigosa".
As FDS também denunciaram ataques de "forças aliadas ao regime de Damasco" contra outra prisão sob controle curdo, em Al-Aqtan, na cidade de Raqqa. Nesses confrontos, nove combatentes curdos foram mortos e outros 20 ficaram feridos.
Acordo para tentar conter a violência
Os curdos, maior povo sem Estado próprio no mundo, somam mais de 35 milhões de pessoas em países como Irã, Iraque, Síria e Turquia, e frequentemente entram em conflito com os governos locais. Na Síria, os grupos curdos combateram o Estado Islâmico com apoio dos EUA, conquistando o controle de várias regiões.
A escalada nas prisões ocorre menos de 24 horas após o presidente interino sírio, Ahmed al-Sharaa, anunciar, no domingo, 18, um acordo de 14 pontos com o comandante das FDS, Mazloum Abdi. O pacto prevê a interrupção imediata da violência no nordeste da Síria e a integração das áreas administradas pelas FDS às instituições do Estado sírio.
Entre os principais pontos, está a integração das FDS e de suas Forças de Segurança Interna (Asayish) aos ministérios da Defesa e do Interior, além da entrega das províncias de Deir ez-Zor e Raqqa ao governo central. O acordo estipula que Damasco assumirá a responsabilidade pelos detidos do Estado Islâmico e suas famílias, atualmente sob custódia curda.
O documento também concede às FDS o direito de indicar nomes para cargos militares, de segurança e civis de alto escalão, além da prerrogativa de sugerir um candidato ao governo da província de Hasaka.
Em mensagem de vídeo, o comandante curdo Mazloum Abdi reiterou o compromisso das FDS com a defesa das "conquistas" no nordeste sírio, apesar da "guerra" imposta às suas forças. Abdi chegou a Damasco nesta segunda para negociações com Sharaa.
O gabinete do presidente interino informou que Sharaa conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmando a importância da unidade e independência do território sírio, além da necessidade de garantir os direitos e a proteção do povo curdo. Ambos concordaram em manter a cooperação no enfrentamento ao Estado Islâmico.