Taxas de juros futuras recuam levemente em dia de liquidez reduzida
Feriado nos EUA e poucas novidades domésticas levam mercado a ajustes moderados nas taxas negociadas na B3
Com o volume de negócios reduzido devido ao feriado de Martin Luther King Jr., celebrado nesta segunda-feira, 19, nos Estados Unidos, e a escassez de notícias e indicadores relevantes no cenário doméstico, as taxas de juros futuras negociadas na B3 registraram leve recuo. O movimento representou uma devolução parcial dos prêmios acumulados nos últimos três pregões, marcados por elevações.
Na semana anterior, dados de atividade econômica acima do esperado e discussões sobre o ritmo e o orçamento do aguardado ciclo de afrouxamento monetário impulsionaram os juros intermediários e longos, que chegaram a abrir cerca de 15 pontos-base. Nesta segunda-feira, o mercado ajustou posições para realização de lucros, influenciado, ainda que de forma moderada, pela melhora das expectativas inflacionárias de curto prazo, conforme apontado no boletim Focus.
Ao final do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 13,807% para 13,76%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 13,211% para 13,17%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 13,511% para 13,48%.
Sem a referência do mercado de Treasuries, fechado devido ao feriado nos Estados Unidos, o boletim Focus foi o principal fator a influenciar as taxas futuras, segundo João Freitas, estrategista de investimentos do Santander. "Na ausência de outros gatilhos, a percepção é que esse movimento de queda nas projeções para 2026 pode se estender para o horizonte relevante", avaliou. "Foi a segunda semana consecutiva de redução do IPCA para este ano, que se aproxima do centro da meta de 3%", comentou.
O relatório do Banco Central apontou nova redução na mediana das estimativas para a alta do IPCA em 2026, de 4,05% para 4,02%. O ajuste para 2024, no entanto, ainda não foi suficiente para aliviar as expectativas do mercado para 2027 e 2028, que permanecem em 3,80% e 3,50%, respectivamente. A mediana para a Selic ao fim de 2026 segue em 12,25%, e para 2027, em 10,5%, mas subiu para 10% em 2028, ante 9,88% anteriormente. Há um mês, essa projeção estava em 9,75%.
Projeções inflacionárias
"Projeções inflacionárias para a janela móvel de 13 a 24 meses também mostraram uma pequena queda", observou a equipe econômica da BuysideBrazil em relatório. A consultoria destacou que, enquanto a mediana para o IPCA de 2024 diminuiu 14 pontos-base desde a última reunião do Copom, as estimativas para os três anos seguintes mantiveram-se estáveis.
Freitas, do Santander, acrescentou que o mercado operou de forma mais "leve". "Com baixa liquidez, qualquer movimento de posicionamento ganha intensidade, o que não ocorreria em condições normais de mercado", explicou. O comportamento favorável do dólar também contribuiu para a descompressão dos DIs: a moeda americana desacelerou a queda à tarde, mas encerrou o dia com baixa de 0,16% frente ao real.