BRB afirma ter plena capacidade para recompor capital diante de possíveis prejuízos
Banco de Brasília reforça plano estruturado para cenários adversos e nega determinações do Banco Central por aporte imediato.
O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, afirmou nesta segunda-feira (19) que possui plena capacidade de recompor seu capital caso sejam confirmados "eventuais prejuízos de determinadas operações". A instituição não mencionou diretamente a crise envolvendo o Banco Master.
"Ademais, o BRB destaca que dispõe de plano de capital estruturado para cenários de estresse, o qual não foi acionado até o momento", informou o banco em nota oficial.
Segundo a Coluna do Estadão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria cobrado prazos para que o governo do Distrito Federal realizasse um aporte de R$ 4 bilhões no BRB. Haddad, que também preside o Conselho Monetário Nacional (CMN), acompanha as discussões no Banco Central e, de acordo com relatos, foi "enfático" ao exigir que o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), estabeleça um período para definir o socorro ao banco estatal.
Após a publicação da reportagem, o Ministério da Fazenda declarou que Haddad não tratou do tema com o governo do DF ou com a direção do BRB, mas não comentou sobre as conversas mantidas com o Banco Central.
Em nota divulgada nesta segunda, o BRB ressaltou que não recebeu comunicação ou determinação específica de aporte de capital por parte do Banco Central do Brasil ou de qualquer outro órgão.
Na semana passada, entretanto, o banco admitiu a possibilidade de aporte do governo do DF. "Caso seja confirmado possível prejuízo, o BRB já tem pronto um plano de capital que, entre as opções, prevê aporte direto do controlador, que já sinalizou com essa possibilidade, ou outros instrumentos que possibilitem a recomposição do capital do Banco", afirmou a instituição.
Durante acareação no Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do ano passado, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, revelou que a instituição não conseguiu recuperar cerca de R$ 2 bilhões aportados no banco de Vorcaro antes da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro. O BRB chegou a fazer uma oferta para adquirir parte do Master em março do ano passado, mas o negócio foi vetado pelo BC em setembro.
Atualmente, o banco estatal informa que o valor do prejuízo está sob análise do Banco Central e de uma auditoria independente.
"O BRB informa que trabalha diariamente em conjunto com o Banco Central e esclarece que todas as operações mencionadas no âmbito da Operação Compliance Zero, que possam estar relacionadas ao Banco, estão incluídas na investigação forense independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll", declarou a instituição.