ECONOMIA INTERNACIONAL

Fitch prevê impacto de tarifas de Trump e queda de até 0,5% no PIB da zona do euro até 2027

Agência destaca que Alemanha será a mais afetada; tensões podem elevar gastos com defesa na Europa.

Publicado em 19/01/2026 às 17:25
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A agência de classificação de risco Fitch Ratings avalia que a ameaça dos Estados Unidos de impor tarifas de 10% sobre produtos europeus pode reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro em até 0,5% até o final de 2027. O alerta consta em relatório divulgado nesta segunda-feira (19).

Segundo a Fitch, a Alemanha tende a ser a economia mais impactada pelas medidas anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. No fim de semana, Trump anunciou novas tarifas a oito países europeus, com início previsto para 1º de fevereiro e possibilidade de elevação para 25%. O objetivo seria pressionar a aprovação da aquisição da Groenlândia. As tarifas se somariam às já existentes, elevando o nível de cobrança sobre importações europeias a patamares semelhantes aos aplicados à China, dificultando ainda mais o comércio bilateral.

"Um aumento para 25% implicaria aproximadamente o dobro do impacto sobre o PIB da zona do euro", afirma a Fitch. "A Alemanha, para a qual projetamos crescimento do PIB de 1,2% neste ano e de 1,4% em 2027, seria a mais afetada", acrescenta a agência. No cenário alemão, o crescimento econômico pode ficar entre 0,8% e 0,9% abaixo do previsto até 2027, podendo haver impacto ainda maior dependendo do tamanho das tarifas.

A Fitch avalia também que a resposta da União Europeia tende a ser moderada e com efeitos praticamente nulos, devido a preocupações com segurança e à manutenção do compromisso dos EUA com a defesa europeia. O relatório cita discussões sobre um pacote de 95 bilhões de euros em tarifas contra importações americanas, que afetaria apenas cerca de 0,4% do PIB dos Estados Unidos.

Por outro lado, a agência reconhece que uma resposta europeia mais significativa "é possível", ressaltando que o bloco dispõe de instrumentos para tal reação.

No caso da Dinamarca, a Fitch aponta que as finanças públicas sólidas e o pequeno peso econômico da Groenlândia limitariam o impacto de uma eventual perda da ilha autônoma, mas o país ficaria mais exposto a efeitos políticos e geoestratégicos.

De forma mais ampla, o aumento dos riscos geopolíticos, os reflexos sobre a atual estrutura da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e as preocupações com a segurança do Leste Europeu devem pesar, de imediato, nas avaliações de crédito soberano de Estônia, Letônia e Lituânia, especialmente diante da persistência da guerra entre Rússia e Ucrânia. A Fitch conclui que as tensões com os EUA tendem a intensificar a pressão por aumento dos gastos com defesa na Europa.