SAÚDE PÚBLICA

Injeção semestral contra HIV será testada pela Fiocruz em sete cidades brasileiras

Estudo com lenacapavir, aprovado pela Anvisa, pode abrir caminho para nova profilaxia no SUS

Publicado em 19/01/2026 às 15:42
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai coordenar um estudo com o lenacapavir, novo medicamento para profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), em sete cidades brasileiras: Campinas, Florianópolis, Manaus, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O objetivo é gerar evidências que possam subsidiar a inclusão do remédio no Sistema Único de Saúde (SUS).

O lenacapavir, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 12 de janeiro, será testado em sua versão injetável, mas também está disponível em comprimidos. O medicamento atua em diferentes fases do ciclo de replicação do HIV, o que amplia seu potencial de prevenção.

Denominado ImPrEP LEN Brasil, o estudo é direcionado a homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas do sexo masculino e pessoas transgênero, com idade entre 16 e 30 anos.

As doses para o estudo foram cedidas pela Gilead Sciences, farmacêutica responsável pelo produto. O início das aplicações depende da chegada ao país de agulhas específicas para a administração do fármaco.

Comercializado sob o nome Sunlenca, o lenacapavir faz parte de uma classe inovadora de antirretrovirais. É indicado para pessoas a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, e que apresentem teste negativo para HIV antes de iniciar o tratamento.

Custo é desafio para acesso

Apesar do potencial preventivo, o alto custo do lenacapavir pode ser um entrave à sua ampla utilização. Estudo publicado na revista The Lancet estima que o custo real de produção varie entre US$ 25 e US$ 46 por pessoa ao ano, enquanto o preço anual do tratamento nos Estados Unidos pode superar US$ 28 mil por paciente (aproximadamente R$ 150.640 na cotação atual).

De acordo com a Anvisa, o medicamento ainda passará pela definição de preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A possível oferta pelo SUS depende de avaliação e recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), além de aprovação do Ministério da Saúde.

Questionada sobre o valor previsto para o Brasil, a Gilead Sciences informou ao Estadão que o preço comercial do medicamento ainda não foi definido e que comparações com valores praticados em outros países não refletem o processo brasileiro.

Sobre a expectativa de incorporação ao SUS, a farmacêutica afirmou que os trâmites seguem fluxos e prazos próprios, sem estimativa de data para uma eventual inclusão no sistema público de saúde.

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