Secretário-geral da ONU fica de fora do Conselho da Paz proposto por Trump para Gaza
António Guterres, secretário-geral da ONU, não foi convidado para integrar o novo órgão sugerido pelos EUA, gerando preocupação sobre a legitimidade do conselho.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, não foi convidado para participar do Conselho da Paz sobre a Faixa de Gaza, iniciativa proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (19) pelo vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq, e gerou apreensão na comunidade internacional quanto à criação de uma estrutura paralela à ONU.
Trump planeja realizar, na próxima quinta-feira (22), em Davos, uma cerimônia para assinatura do acordo de criação do conselho.
"Não tenho conhecimento de nenhuma comunicação que tenhamos recebido a esse respeito", afirmou Farhan Haq ao ser questionado sobre um possível convite a Guterres.
Além disso, Haq informou que Guterres cancelou sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos devido a uma "forte gripe".
Segundo o governo dos Estados Unidos, vários líderes internacionais foram convidados a integrar o novo órgão, incluindo um braço específico para administrar a Faixa de Gaza. De acordo com um esboço do estatuto obtido pela Bloomberg, países interessados em um assento permanente deverão contribuir com pelo menos US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,3 bilhões). Donald Trump seria o presidente inaugural do conselho, com autoridade para decidir sobre a entrada de novos membros e para aprovar decisões tomadas por maioria simples.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia, junto ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o convite feito por Trump. Rússia e Belarus também foram chamados a participar do grupo.
O estatuto define o conselho como uma organização internacional dedicada a promover estabilidade, restaurar a governança legal e assegurar paz duradoura em áreas afetadas por conflitos.
Está previsto que o Conselho da Paz se reúna ao menos uma vez por ano, com datas e locais definidos pelo presidente, e que o conselho executivo tenha encontros trimestrais sem necessidade de votação. Trump teria ainda o poder de remover membros, salvo veto de dois terços dos Estados-membros, e a obrigação de indicar sempre um sucessor para a presidência.
A proposta faz parte do plano dos Estados Unidos para uma administração internacional temporária da Faixa de Gaza, incluindo o envio de tropas internacionais de estabilização em coordenação com Israel e Egito.