ECONOMIA GLOBAL

FMI afirma ser cedo para medir impacto das tensões comerciais entre UE e EUA

Kristalina Georgieva alerta para riscos ao crescimento econômico e destaca necessidade de acordo entre blocos

Publicado em 19/01/2026 às 14:06
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva Reprodução / Internet

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta segunda-feira que ainda é muito cedo para avaliar o impacto das recentes tensões comerciais, referindo-se às tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a países europeus.

"Realizamos diversas simulações e observamos que, ao desviar as relações comerciais do curso normal, pode haver uma queda no crescimento econômico", alertou Georgieva em entrevista à Bloomberg TV, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. "O melhor caminho para resolvermos isso é buscar um acordo, algo válido para qualquer parte do mundo."

Georgieva também ressaltou a importância de monitorar de perto os riscos relacionados às mudanças no fluxo de investimentos em inteligência artificial (IA). Segundo ela, os investimentos no setor têm gerado lucros até o momento, tendência que deve continuar, mesmo que em detrimento de outras áreas.

"Ainda não estamos preocupados com uma bolha da internet", afirmou, fazendo referência à crise do final dos anos 1990. "O que nos preocupa é o retorno dos investimentos", destacou.

A dirigente do FMI comentou ainda que o Fundo não mantém relações com a Venezuela desde 2019. Para ela, a situação no país sul-americano é "devastadora", com a economia em colapso e inflação crescente, além da ausência de dados confiáveis.

"Estamos prontos para nos engajarmos na Venezuela e posso dizer à população venezuelana que espero por avanços em breve", declarou.

Sobre a Ucrânia, Georgieva afirmou que o país segue funcional apesar do inverno rigoroso. Ela visitou Kiev na última semana e criticou as ações militares da Rússia contra o sistema energético ucraniano.

"Não vejo a Ucrânia sendo esquecida. Na Europa, está muito claro que a segurança ucraniana é a segurança do continente. Estou confiante na continuidade das reformas", concluiu.