TENSÃO INTERNACIONAL

China pede que EUA abandonem narrativa de 'ameaça chinesa' sobre a Groenlândia

Pequim critica justificativas dos EUA para pressão sobre a ilha e defende respeito ao direito internacional

Publicado em 19/01/2026 às 12:45
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A China reagiu nesta segunda-feira (19) às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia e pediu que Washington abandone o que classificou como narrativa de "ameaça chinesa" para justificar interesses próprios na região. Questionado sobre o anúncio de tarifas americanas a países europeus ligados ao impasse em torno da ilha, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que o país "já deixou clara várias vezes sua posição sobre a questão da Groenlândia".

Segundo o porta-voz, "o direito internacional, baseado nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, é o fundamento da ordem internacional vigente e deve ser respeitado". Ele acrescentou que Pequim pede que os EUA "parem de usar a chamada 'ameaça chinesa' como pretexto para obter ganhos privados".

A declaração ocorre após Trump anunciar tarifas progressivas sobre produtos de oito países europeus, condicionando a suspensão das medidas a um acordo para a "aquisição completa e total" da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. O presidente americano justificou a pressão econômica alegando riscos à segurança internacional e afirmou, em diversas ocasiões, que China e Rússia conduzem exercícios militares na região do Ártico.

Pequim tem rebatido essas acusações. Em manifestações anteriores, o governo chinês declarou que suas atividades no Ártico "visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável" e que "os direitos e liberdades de todos os países para conduzir atividades na região, de acordo com a lei, devem ser plenamente respeitados".

A escalada retórica sobre a Groenlândia ampliou tensões entre EUA e aliados europeus e provocou reações de líderes da União Europeia (UE), que alertaram para o risco de o tema aprofundar divisões no bloco ocidental e até beneficiar chineses e russos.