Tarifas dos EUA abalam Europa e ampliam tensão transatlântica, afirma Paulo Nogueira
Economista destaca que aumento de tarifas imposto por Washington fragiliza relações e coloca Europa em posição de submissão.
O economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, afirmou à Sputnik que os Estados Unidos estão provocando "enormes danos" às relações comerciais transatlânticas ao romper acordos e ampliar tarifas contra países europeus, gerando instabilidade e submetendo a Europa a uma posição desfavorável.
Em entrevista à Sputnik, Paulo Nogueira Batista Jr., também ex-diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), avaliou que a suspensão do acordo comercial firmado no ano passado evidenciou a fragilidade das relações entre Estados Unidos e Europa.
Segundo ele, Washington "está causando enormes danos" ao impor tarifas unilaterais e pressionar os europeus a aceitar condições desfavoráveis. "Foi um mau negócio para a Europa", afirmou.
O economista ressaltou que o governo norte-americano decidiu elevar tarifas sobre uma lista de países europeus, com aumentos imediatos de 10% e previsão de chegar a 25%. Para Batista Jr., a medida representa a ruptura de um acordo que também beneficiava os próprios EUA.
Ele classificou a estratégia como "chantagem", afirmando que "o direito internacional não existe mais", tese compartilhada por diversos observadores internacionais desde que Trump reassumiu a presidência.
Analisando os impactos econômicos, Batista Jr. citou o presidente chinês Xi Jinping: "ninguém ganha em uma guerra tarifária". Para ele, tanto os EUA quanto a União Europeia perderão mercados e capacidade produtiva, e o desfecho dependerá da reação europeia: "Se continuarem a responder timidamente, a Europa perderá ainda mais".
O economista apontou que 2025 evidenciou a "precariedade" da postura europeia diante das ações unilaterais americanas. Segundo ele, o continente "não está se comportando como poderoso, mas como um conjunto submisso de países".
"[A Europa] está perdendo prestígio. Está sendo repetidamente ameaçada, humilhada e atingida por tarifas. Então, sabe, eu nunca imaginei ver a Europa em um estado tão lamentável em relação aos Estados Unidos", destacou.
Sobre a possibilidade de ampliação da lista de países europeus sujeitos a novas tarifas, Batista Jr. destacou a imprevisibilidade do governo norte-americano. "Ninguém sabe ao certo o que é considerado válido na mente de Trump. Ele é imprevisível e arbitrário", disse.
Ele explicou ainda que a inclusão ou exclusão de países dependerá da postura de cada governo diante das ambições dos EUA em relação à Groenlândia. "Se um país se comportar de forma submissa, poderá não entrar na lista. Se desafiar, será punido", afirmou.
Para o economista, o cenário atual revela uma combinação de unilateralismo dos EUA e fragilidade europeia, criando um ambiente de incerteza global, em que a escalada tarifária tende a aprofundar tensões e comprometer a estabilidade econômica internacional.