DESCOBERTA PALEONTOLÓGICA

Fósseis raros de 340 milhões de anos são encontrados em muro de pedra no Reino Unido

Achado no Peak District revela conchas de goniatites excepcionalmente preservadas, lançando nova luz sobre a vida marinha pré-histórica da região.

Publicado em 19/01/2026 às 12:33
Fósseis de goniatites com 340 milhões de anos são encontrados preservados em muro de pedra no Reino Unido. © Foto / Pixabay/ anaterate

Guardas do National Trust fizeram uma descoberta paleontológica notável ao identificar fósseis marinhos excepcionalmente preservados incrustados em um muro de pedra seca no Peak District, região central da Inglaterra. O achado oferece uma rara janela para a vida nos mares tropicais que cobriam a área há cerca de 340 milhões de anos.

A descoberta ocorreu na área de White Peak, em Staffordshire, e chamou atenção pela qualidade dos fósseis: conchas de goniatites, cefalópodes extintos aparentados a lulas e polvos. O nível de detalhe visível nas marcas e padrões das conchas surpreendeu a equipe, que relatou nunca ter encontrado exemplares tão bem preservados na região.

O guarda David Ward contou que, ao observar os fósseis pela primeira vez, pensou que os padrões haviam sido desenhados à mão, tamanha a nitidez das linhas onduladas no calcário. Apesar de o Peak District ser conhecido por sua riqueza fossilífera, a maioria dos achados costuma ser fragmentada ou incompleta, tornando esses exemplares intactos ainda mais valiosos.

Para proteger os fósseis contra danos, coleta ilegal e vandalismo, o National Trust — uma das principais instituições de preservação do patrimônio histórico e natural do Reino Unido — optou por manter em sigilo a localização exata da parede onde os fósseis foram encontrados. A descoberta rapidamente despertou o interesse de especialistas, como a paleontóloga Susannah Lydon, da Universidade de Nottingham, que destacou que os goniatites prosperaram em mares tropicais rasos durante o período Carbonífero.

Segundo Lydon, as conchas desses animais afundavam no fundo do mar após a morte e eram soterradas por sedimentos, passando por milhões de anos de pressão e mineralização até se transformarem em fósseis. Ela comparou os goniatites aos amonites, mais conhecidos do público e frequentemente encontrados em localidades como Whitby e Lyme Regis.

Além do valor científico, os fósseis têm relevância cultural e educativa. Para Lydon, descobertas locais ajudam comunidades a compreender a profundidade temporal de seus territórios e a relação humana com ambientes em constante transformação ao longo da história geológica da Terra.

Com informações de Sputnik Brasil